INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Uma pré-escolar de 4 anos é atendida com quadro, iniciado no dia anterior, de diarreia associada à febre de até 38,5 °C, que cede com o uso de antitérmico. Segundo a mãe, foram 9 episódios de fezes líquidas, sem muco, pus ou sangue associados. A criança também apresenta coriza hialina e tosse pouco produtiva, iniciadas 2 dias antes. A mãe nega recusa alimentar e, durante a consulta, foi oferecida água para a criança que bebeu sem dificuldades. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, responde a brincadeiras de maneira tranquila, está hidratada e que o sinal da prega retorna em menos de 2 segundos.Nesse caso, considerando-se a classificação dos tipos de desidratação, a conduta médica adequada é
Diarreia aguda infantil sem desidratação (Plano A) → manter alimentação, oferecer líquidos, zinco oral por 10 dias.
A criança apresenta diarreia aguda sem sinais de desidratação (Plano A), caracterizada por bom estado general, hidratação preservada e ausência de sinais como olhos encovados ou sede intensa. Nesses casos, a conduta inclui manter a alimentação habitual, aumentar a oferta de líquidos e, crucialmente, prescrever zinco oral por 10 a 14 dias para reduzir a duração e gravidade de episódios futuros.
A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos, especialmente em países em desenvolvimento. O manejo adequado é crucial e segue as diretrizes do Ministério da Saúde, que classificam a desidratação em três planos (A, B e C). O reconhecimento precoce do grau de desidratação é fundamental para a conduta. No caso apresentado, a criança de 4 anos com diarreia, febre baixa, sem sinais de desidratação (bom estado geral, hidratada, prega cutânea < 2 segundos, sem recusa alimentar e bebendo água sem dificuldades) se enquadra no Plano A de tratamento. Este plano visa prevenir a desidratação e inclui manter a alimentação habitual, aumentar a oferta de líquidos em casa (soro de reidratação oral, água, sucos, sopas) e, de forma muito importante, a suplementação com zinco oral. A suplementação de zinco oral por 10 a 14 dias é uma intervenção custo-efetiva que comprovadamente reduz a duração e a gravidade dos episódios de diarreia, além de diminuir a incidência de novos episódios nos meses seguintes. É uma recomendação universal para o manejo da diarreia aguda em crianças. A prescrição de antibióticos é reservada para casos específicos de diarreia bacteriana invasiva, o que não é sugerido pelo quadro clínico da criança.
Sinais de desidratação leve incluem ausência de sede intensa, olhos não encovados, lágrimas presentes, boca úmida e retorno rápido da prega cutânea. A criança está alerta e interage normalmente.
O zinco oral é fundamental para reduzir a duração e a gravidade dos episódios de diarreia, além de diminuir a chance de novos episódios nos 2 a 3 meses seguintes. É recomendado para todas as crianças com diarreia aguda.
Deve-se procurar atendimento médico se a criança apresentar sinais de desidratação moderada a grave (olhos encovados, sede intensa, letargia), febre alta persistente, sangue nas fezes, vômitos persistentes ou recusa alimentar.
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