Diarreia Aguda Pediátrica: Diagnóstico e Manejo da Desidratação

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023

Enunciado

Criança de 1 ano e 2 meses apresenta quadro de diarreia aquosa e volumosa, explosiva, com cerca de 5 evacuações ao dia, há dois dias. Ao exame físico, paciente alerta, presença de olhos encovados e mucosa ressecada, com frequência cardíaca de 98 bpm, pulsos simétricos e cheios, tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Mãe relata diurese presente, porém concentrada. A respeito do caso apresentado, o diagnóstico e a conduta corretos são

Alternativas

  1. A) diarreia aguda com desidratação grave/ solução fisiológica 30 ml/Kg em uma hora.
  2. B) diarreia aguda com desidratação/ soro de reidratação oral 50-100 ml/Kg em 4-6 horas.
  3. C) parasitose intestinal e desidratação/ mebendazol e soro de reidratação oral após cada evacuação.
  4. D) disenteria aguda/ ciprofloxaxino e mebendazol oral.
  5. E) diarreia aguda com desidratação leve/ dieta branda sem lactose e soro caseiro após as evacuações.

Pérola Clínica

Diarreia aguda + olhos encovados/mucosa ressecada (sem choque) → Desidratação moderada = SRO 50-100 mL/kg em 4-6h.

Resumo-Chave

A criança apresenta sinais de desidratação moderada (olhos encovados, mucosa ressecada, diurese concentrada) sem sinais de choque (pulsos cheios, TPC < 3s). O tratamento de escolha é a terapia de reidratação oral com SRO, seguindo o Plano B da OMS.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos, especialmente em países em desenvolvimento. A principal complicação é a desidratação, que pode variar de leve a grave e, se não tratada, levar ao choque e óbito. O diagnóstico da desidratação é clínico, baseado na avaliação de sinais como estado geral, olhos, lágrimas, boca e língua, sede, elasticidade da pele, pulsos e tempo de enchimento capilar. A fisiopatologia da diarreia aguda envolve a perda excessiva de água e eletrólitos pelo trato gastrointestinal, resultando em desequilíbrio hidroeletrolítico. A avaliação do grau de desidratação é crucial para determinar a conduta. O paciente descrito apresenta sinais de desidratação moderada (olhos encovados, mucosa ressecada, diurese concentrada), mas sem sinais de choque (pulsos cheios, TPC normal, alerta). O tratamento da desidratação moderada é feito predominantemente pela terapia de reidratação oral (TRO) com Soro de Reidratação Oral (SRO), seguindo o Plano B da OMS, que preconiza a administração de 50-100 mL/Kg de SRO em 4-6 horas. A dieta deve ser mantida, e o uso de antibióticos ou antiparasitários é reservado para casos específicos de disenteria ou parasitoses confirmadas. A reavaliação contínua é fundamental para monitorar a resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de desidratação moderada em crianças?

Os sinais de desidratação moderada incluem olhos encovados, boca e língua secas, sede aumentada, elasticidade da pele diminuída (sinal da prega), e diurese presente mas concentrada. O estado geral da criança geralmente é alerta, mas pode estar irritado.

Como é feito o cálculo do soro de reidratação oral para desidratação moderada?

Para desidratação moderada, o Plano B da OMS recomenda a administração de 50-100 mL/Kg de Soro de Reidratação Oral (SRO) em um período de 4 a 6 horas, oferecendo pequenas quantidades frequentemente.

Quando a hidratação intravenosa é indicada na diarreia aguda infantil?

A hidratação intravenosa é indicada em casos de desidratação grave (com sinais de choque, como letargia, pulsos fracos, TPC > 3s), falha da terapia de reidratação oral (vômitos incoercíveis) ou em situações de íleo paralítico.

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