SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2021
Uma criança de 3 anos de idade foi levada ao atendimento por quadro de diarreia aquosa há três dias. A mãe nega febre e presença de sangue e muco nas fezes. Relata náuseas, vômitos e redução do apetite, sem outras queixas. Ao exame físico, a criança apresenta-se irritada, com olhos fundos, boca e língua secas, sedenta, com lágrimas ausentes, pulso rápido e sinal da prega desaparecendo lentamente, em menos de dois segundos. Verificam-se FC = 130 bpm, FR = 30 irpm, SatO2 = 99% em AA e T = 37,4 ºC.Considerando esse caso clínico, no que se refere à diarreia aguda na infância, assinale a alternativa correta.
Desidratação moderada infantil → SRO de osmolaridade reduzida (OMS 2002) é a 1ª escolha para reidratação oral.
A criança apresenta sinais de desidratação moderada. A terapia de reidratação oral (TRO) é a conduta inicial e mais eficaz. A OMS, desde 2002, recomenda a SRO de osmolaridade reduzida, que demonstrou ser mais eficiente na redução do volume de fezes e vômitos, além de diminuir a necessidade de hidratação intravenosa.
A diarreia aguda na infância é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de cinco anos globalmente. Caracteriza-se por um aumento na frequência e/ou diminuição da consistência das fezes, geralmente de início súbito. A principal complicação é a desidratação, que pode variar de leve a grave e, se não tratada, levar ao óbito. A epidemiologia mostra que agentes virais, como o rotavírus (cuja vacina está no PNI, mas com esquema de 2 e 4 meses, não 6), são as causas mais comuns, mas bactérias e parasitas também são relevantes. O diagnóstico da desidratação é clínico, baseado na avaliação de sinais como estado geral, olhos, lágrimas, boca, sede, elasticidade da pele e pulsos. O caso clínico descreve uma criança com desidratação moderada (irritada, olhos fundos, boca seca, sedenta, lágrimas ausentes, sinal da prega desaparecendo lentamente). A fisiopatologia envolve a perda de água e eletrólitos, levando a distúrbios hidroeletrolíticos e acidobásicos. O tratamento da desidratação, mesmo moderada, tem como pilar a terapia de reidratação oral (TRO). A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o UNICEF, a partir de 2002, estabeleceram a solução de reidratação oral (SRO) com osmolaridade reduzida (245 mOsm/L) como a solução de escolha. Esta SRO é mais eficaz que a formulação anterior (311 mOsm/L) por reduzir o volume de fezes e vômitos, diminuindo a duração da diarreia e a necessidade de hidratação intravenosa. A hidratação endovenosa é reservada para casos de desidratação grave ou choque, ou quando a TRO falha devido a vômitos incoercíveis.
A classificação é feita por sinais clínicos: ausência de desidratação (alerta, sem sinais), desidratação moderada (irritado, olhos fundos, sedento, prega lenta) e desidratação grave (letárgico, choque, sem lágrimas, prega muito lenta).
A SRO de osmolaridade reduzida (245 mOsm/L) é mais eficaz que a SRO padrão, pois reduz o volume de fezes e vômitos, diminuindo a necessidade de hidratação intravenosa e o risco de hiponatremia.
A hidratação intravenosa é indicada em casos de desidratação grave, choque hipovolêmico, vômitos incoercíveis que impedem a TRO, ou falha da TRO após tentativas adequadas.
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