Diarreia Aguda e Disenteria: Diagnóstico e Conduta

UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 69 anos chega ao atendimento médico queixando-se de fezes líquidas, dor abdominal e febre há dois dias. Descreve as evacuações como frequentes, 8 a 10 vezes por dia, em pequenos volumes sem sangue visível. A dor é em cólica, difusa e de intensidade moderada, que não se alivia após a defecação. Apresentou dois episódios de febre não aferida associados a náuseas. Nega vômitos. Após dois dias de fezes aquosas, refere fezes mucossanguinolentas associadas a tenesmo e vômitos, com piora do estado geral. Não tem antecedente pessoal importante, não toma medicamentos. Nega alteração da dieta diária ou viagem recente. Não teve contato com pessoas com sintomas semelhantes. É aposentado e mora num asilo; não é etilista e nem tabagista. Ao exame clínico: regular estado geral, orientado, corado, desidratado, febril (39ºC), acianótico, anictérico, frequência respiratória de 16 incursões/minuto, pulso regular: 112 bpm, pressão arterial: 120/70 mmHg deitado e 110 x 70 mmHg em pé. Ausculta pulmonar: murmúrio vesicular presente simetricamente sem ruídos adventícios. Ausculta cardíaca bulhas rítmicas normofonéticas em dois tempos, sem sopros. Abdome flácido dolorido à palpação difusamente, sem visceromegalias ou massas palpáveis, sem descompressão brusca dolorosa, ruídos hidroaéreos aumentados. Extremidades sem edema, pulsos periféricos presentes e simétricos. Sobre este caso responda os questionamentos abaixo:a) Qual o tipo da diarreia de acordo com a duração e topografia?b) Qual a provável etiologia?c) Liste os sintomas referidos na anamnese e encontrados no exame físico que são relacionados a sua hipótese diagnóstica.d) Cite 5 situações consideradas bandeiras vermelhas ou sinais de alarme que indicam a hospitalização de pacientes com diarreia aguda.e) Quais as indicações para o uso de antibioticoterapia empírica na diarreia aguda?\n

Alternativas

Pérola Clínica

Diarreia inflamatória (sangue/pus) + febre + tenesmo = Disenteria (topografia colônica).

Resumo-Chave

A transição de diarreia aquosa para mucossanguinolenta em idoso institucionalizado sugere invasão colônica ou colite, exigindo avaliação de sinais de gravidade para internação.

Contexto Educacional

A diarreia aguda (até 14 dias) pode ser classificada em não-inflamatória (aquosa, intestino delgado) ou inflamatória (disenteria, cólon). O caso clínico descreve uma evolução para disenteria, caracterizada por pequenos volumes, muco, sangue e tenesmo. Em idosos, a desidratação é rápida e a mortalidade é maior devido à menor reserva funcional. O manejo envolve reidratação vigorosa e avaliação criteriosa para antibioticoterapia, especialmente se houver sinais de sepse ou instabilidade. A topografia colônica é sugerida pela dor em cólica difusa e tenesmo.

Perguntas Frequentes

Quais as principais causas de disenteria em idosos?

As causas bacterianas invasivas como Shigella, Salmonella não-tifoide, Campylobacter e E. coli enteroinvasiva são comuns. Em idosos institucionalizados ou com uso prévio de antibióticos, a infecção por Clostridioides difficile deve ser fortemente considerada, apresentando-se desde diarreia leve até colite fulminante com risco de perfuração.

Quais são as 'bandeiras vermelhas' na diarreia aguda?

Sinais que indicam hospitalização incluem: desidratação grave (hipotensão ortostática, oligúria), febre alta (>38.5°C), dor abdominal intensa, mais de 6-10 evacuações ao dia, sangue nas fezes (disenteria), idade avançada (>65 anos) com comorbidades e falha na reidratação oral ou vômitos persistentes.

Quando iniciar antibiótico empírico na diarreia?

A antibioticoterapia empírica, geralmente com quinolonas ou azitromicina, é indicada em: casos de disenteria grave (febre alta, toxemia), pacientes imunocomprometidos, idosos com comorbidades cardiovasculares (risco de bacteremia por Salmonella), suspeita de febre tifoide ou diarreia do viajante moderada a grave.

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