SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025
Maria, 5 anos, chega acompanhada da sua mãe à emergência do hospital com quadro de diarreia há 3 dias. Pais referem episódios de fezes líquidas, sem a presença de sangue ou muco. Apresentou cerca de cinco a seis episódios nas últimas 24 horas. Não há relato de febre ou vômitos, e a aceitação da dieta está normal. Sinais vitais na chegada: Sat – 97%, Tax – 37°C, frequência respiratória – 39 rpm e frequência cardíaca – 85 bpm. Ao exame físico: aspecto geral bom, mucosas úmidas e coradas. Tempo de enchimento capilar <2 segundos. Ausculta cardiopulmonar sem alterações. Abdome depressível, globoso, ruídos hidroaéreos presentes e aumentados, e dor leve à palpação. A melhor conduta nesse caso é:
Criança com diarreia aguda sem sinais de desidratação → alta com SRO e líquidos caseiros, manter dieta.
Em casos de diarreia aguda em crianças sem sinais de desidratação, a conduta principal é a reidratação oral em domicílio, utilizando SRO ou líquidos caseiros, e a manutenção da alimentação habitual. A internação ou exames complementares são desnecessários na ausência de sinais de gravidade ou desidratação.
A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos globalmente, embora sua incidência e gravidade tenham diminuído com as melhorias sanitárias e o uso da vacina contra rotavírus. A avaliação do estado de hidratação é o pilar fundamental para a conduta. Crianças com diarreia devem ser classificadas quanto ao grau de desidratação (sem desidratação, desidratação leve/moderada ou desidratação grave) para guiar o tratamento adequado. A maioria dos casos de diarreia aguda em crianças é de origem viral e autolimitada. No caso de Maria, a ausência de febre, vômitos, e, principalmente, a presença de mucosas úmidas, bom aspecto geral e tempo de enchimento capilar menor que 2 segundos, indicam que ela não apresenta sinais de desidratação. Nesses casos, a conduta é o Plano A de tratamento da diarreia, que consiste em reidratação oral em domicílio e manutenção da alimentação. A Solução de Reidratação Oral (SRO) é a primeira escolha para repor líquidos e eletrólitos, mas líquidos caseiros como água de arroz, soro caseiro, chás e sucos naturais também são úteis. É crucial orientar os pais sobre os sinais de alerta para retorno ao serviço de saúde (piora da diarreia, vômitos persistentes, recusa alimentar, sinais de desidratação) e a importância de manter a alimentação habitual da criança, pois isso ajuda a manter o estado nutricional e a recuperação da mucosa intestinal. A prescrição de analgésicos ou antieméticos de rotina não é recomendada e a observação hospitalar prolongada sem indicação clínica é desnecessária, sobrecarregando o sistema de saúde e expondo a criança a riscos hospitalares.
Sinais de desidratação leve incluem mucosas secas, sede aumentada, diminuição da diurese e choro sem lágrimas. No entanto, a criança ainda apresenta bom aspecto geral e tempo de enchimento capilar normal.
A SRO é fundamental porque repõe água e eletrólitos perdidos nas fezes de forma equilibrada, prevenindo e tratando a desidratação. Sua composição é otimizada para absorção intestinal, sendo superior a líquidos caseiros isolados para reidratação.
A internação é indicada em casos de desidratação grave, choque hipovolêmico, vômitos incoercíveis que impedem a reidratação oral, falha do tratamento ambulatorial, ou presença de outras condições graves como sepse ou desnutrição grave.
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