SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2015
Criança de 4 anos, levada pela mãe para atendimento na unidade de saúde por queixa de diarreia há 1 dia, associada a dor abdominal e náuseas. A criança apresentou, desde o início do quadro, 3 evacuações amolecidas, sem a presença de sangue, pus ou muco. A mãe está muito preocupada, pois a criança não está comendo e está mais apática do que o habitual. Ao exame a paciente encontra-se alerta e comunicativa, com as mucosas úmidas, com os pulsos cheios e boa velocidade de enchimento capilar. A prega cutânea se desfaz rapidamente ao exame e o abdome é inocente. Assinale a opção mais adequada para o manejo desta criança:
Criança com diarreia e sem desidratação → SRO em casa + analgésicos se dor.
Em crianças com diarreia aguda e sem sinais de desidratação ou com desidratação leve, o manejo principal é a reidratação oral com SRO, oferecendo volumes adequados após cada evacuação diarreica. A manutenção da alimentação e o uso de analgésicos para dor abdominal são medidas de suporte importantes, enquanto antibióticos são reservados para casos específicos.
A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos, sendo um tema de extrema relevância para a pediatria e a medicina de emergência. O manejo adequado depende da avaliação do estado de hidratação da criança, que é classificado em sem desidratação, desidratação leve/moderada e desidratação grave. A maioria dos casos é de etiologia viral e autolimitada, com o foco principal do tratamento sendo a prevenção e correção da desidratação. No caso apresentado, a criança de 4 anos, apesar da apatia e da queixa de não comer, apresenta mucosas úmidas, pulsos cheios, bom enchimento capilar e prega cutânea que se desfaz rapidamente, indicando ausência de desidratação ou desidratação muito leve. Nesses casos, a conduta mais adequada é o tratamento domiciliar com solução de reidratação oral (SRO), seguindo o Plano A da OMS, que preconiza oferecer líquidos em maior quantidade e manter a alimentação usual. A SRO deve ser administrada em volumes apropriados para a idade após cada evacuação diarreica. A prescrição de antibióticos não é rotineira para diarreia aguda sem sinais de infecção bacteriana invasiva (como fezes com sangue ou muco, febre alta persistente ou toxemia). Exames como coprocultura e parasitológico não são indicados de rotina em diarreia aguda não complicada. O residente deve estar apto a identificar os sinais de desidratação e aplicar o plano terapêutico correto para evitar a progressão para quadros mais graves.
Sinais de desidratação leve incluem mucosas úmidas, olhos normais, lágrimas presentes, fontanela normal (em lactentes), pulsos cheios e enchimento capilar normal, mas a criança pode estar mais irritada ou com sede aumentada. A prega cutânea se desfaz rapidamente.
A conduta inicial é o Plano A da OMS: oferecer mais líquidos que o habitual (água, soro caseiro, SRO), manter a alimentação habitual, e observar sinais de piora. Para dor abdominal, analgésicos podem ser prescritos.
Antibióticos são indicados em casos específicos, como diarreia com sangue (disenteria), suspeita de cólera, ou em pacientes imunocomprometidos. Para diarreia aquosa sem sinais de gravidade, a terapia antibiótica não é recomendada.
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