Diarreia Bacteriana e Desidratação Grave em Crianças

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2025

Enunciado

Criança de 2 anos de vida em consulta no pronto atendimento de pediatria, sua mãe relata que sua filha iniciou há 6 dias quadro de diarreia com fezes amolecidas de odor fétido, 6 episódios ao dia, com sangue e pus, acompanhado de febre alta e vômitos. Nega outros sintomas. Em sua história alimentar sabe-se que não foi amamentada e, desde que nasceu toma fórmula infantil. Estado geral comprometido, hipotônica, febril (38,5°) com olhos encovados, sinal da prega volta muito lentamente e não consegue beber nada. Qual o provável diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Diarreia aguda viral e desidratação moderada.
  2. B) Diarreia aguda bacteriana e desidratação grave.
  3. C) Diarreia aguda por intolerância ao leite e com desidratação grave.
  4. D) Diarreia persistente e desidratação grave.

Pérola Clínica

Diarreia com sangue/pus + febre alta + desidratação grave (olhos encovados, prega lenta, não bebe) em criança → Diarreia bacteriana.

Resumo-Chave

A presença de sangue e pus nas fezes, febre alta e sinais claros de desidratação grave (olhos encovados, sinal da prega que volta muito lentamente, incapacidade de beber) em uma criança de 2 anos são marcadores importantes que sugerem fortemente uma etiologia bacteriana para a diarreia aguda, necessitando de intervenção imediata para a desidratação.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos, sendo a desidratação sua complicação mais temida. É fundamental que o residente saiba identificar rapidamente os sinais de desidratação grave para iniciar a reidratação de forma eficaz e evitar desfechos desfavoráveis. A etiologia da diarreia pode ser viral, bacteriana ou parasitária, e a diferenciação é crucial para o manejo adequado. No caso apresentado, a presença de fezes com sangue e pus (disenteria), febre alta e vômitos, associados a sinais de desidratação grave como olhos encovados, hipotonia, sinal da prega que volta muito lentamente e incapacidade de beber, aponta fortemente para uma diarreia aguda de origem bacteriana. Patógenos como Shigella, Salmonella, Campylobacter e E. coli enteroinvasora são causas comuns de disenteria em crianças. O tratamento da diarreia aguda com desidratação grave envolve a reidratação intravenosa imediata, conforme os protocolos da OMS, e a consideração de antibioticoterapia empírica em casos de suspeita de etiologia bacteriana, especialmente em crianças com disenteria e comprometimento do estado geral. O acompanhamento nutricional e a prevenção de novas infecções são igualmente importantes para a recuperação completa e a prevenção de episódios futuros.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de desidratação grave em crianças?

Os sinais de desidratação grave incluem letargia ou inconsciência, olhos encovados, ausência de lágrimas, boca e língua muito secas, sinal da prega cutânea que volta muito lentamente (>2 segundos), pulsos fracos ou ausentes e incapacidade de beber ou beber com muita avidez.

Como diferenciar diarreia viral de bacteriana em crianças?

A diarreia bacteriana frequentemente se apresenta com febre alta, dor abdominal intensa, vômitos e, crucialmente, fezes com sangue e/ou pus (disenteria). Diarreias virais tendem a ter fezes mais aquosas, sem sangue, e sintomas sistêmicos geralmente menos graves.

Qual a conduta inicial para uma criança com desidratação grave por diarreia?

A conduta inicial é a reposição volêmica intravenosa rápida com soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato, em bolus de 20 mL/kg, repetindo conforme a necessidade até a melhora dos sinais de choque e hidratação. A investigação etiológica e o tratamento antibiótico devem ser considerados para diarreias bacterianas.

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