FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Uma menina de 2 anos, previamente saudável, apresenta diarreia aquosa há 2 dias, com cerca de 4 evacuações amolecidas/dia, sem sangue ou muco. Afebril no momento, ativa, aceita bem líquidos e mantém alimentação, diurese habitual. Antecedentes: vacinação em dia, aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, sem internações prévias. Não faz uso de medicamentos. Exame físico: mucosas úmidas, hidratada, presença de lágrimas ao choro, sinal da prega cutânea normal, sem letargia. De acordo com o Ministério da Saúde / AIDPI, qual a conduta mais adequada para esse caso?
Diarreia sem desidratação → Plano A: Aumentar líquidos + Manter dieta + Zinco + Sinais de alerta.
Crianças hidratadas com diarreia aguda devem ser tratadas no domicílio (Plano A) para prevenir a desidratação, sem interrupção da dieta e com suplementação de zinco.
A diarreia aguda em pediatria é definida pelo aumento da frequência das evacuações e/ou diminuição da consistência das fezes por um período de até 14 dias. A maioria dos casos é de etiologia viral (como Rotavírus e Norovírus) e autolimitada. O objetivo principal do manejo clínico não é 'parar a diarreia', mas sim prevenir e tratar a desidratação e o distúrbio hidroeletrolítico. O protocolo AIDPI (Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância) é a estratégia padrão para reduzir o erro diagnóstico e conduta. No Plano A, a manutenção da dieta é fundamental, pois a absorção de nutrientes via cotransporte sódio-glicose permanece parcialmente íntegra, permitindo a nutrição do enterócito. Antibióticos só estão indicados em casos de disenteria (presença de sangue nas fezes) com comprometimento do estado geral ou em suspeitas de cólera grave, não sendo recomendados para diarreia aquosa comum.
O Plano A baseia-se em: 1) Oferecer mais líquidos que o habitual para prevenir a desidratação (SRO, água, chás, sucos naturais); 2) Manter a alimentação habitual, especialmente o aleitamento materno, para evitar desnutrição e acelerar a recuperação da mucosa; 3) Suplementar Zinco uma vez ao dia por 10 a 14 dias (10mg para <6 meses e 20mg para >6 meses); 4) Orientar a família sobre os sinais de perigo para retorno imediato ao serviço de saúde. Não se deve utilizar medicamentos 'antidiarreicos' ou antieméticos que deprimam o SNC em crianças.
A diferenciação é baseada no estado de hidratação. No Plano A, a criança está hidratada (ativa, olhos normais, lágrimas presentes, bebe bem, prega desaparece rápido). No Plano B (desidratação moderada), apresenta dois ou mais sinais: irritabilidade, olhos fundos, bebe avidamente/com sede, sinal da prega desaparece lentamente. No Plano C (desidratação grave/choque), apresenta dois ou mais sinais: letargia ou inconsciência, olhos muito fundos, não consegue beber ou bebe muito mal, sinal da prega desaparece muito lentamente (>2 segundos). Cada classificação exige uma via de reidratação específica (domiciliar, oral supervisionada ou venosa).
A suplementação de zinco é uma recomendação da OMS e do Ministério da Saúde com alto nível de evidência. O zinco atua na regeneração do epitélio intestinal, melhora a absorção de água e eletrólitos e fortalece a resposta imune local. Seu uso reduz comprovadamente a duração do episódio de diarreia, diminui o número de evacuações e, crucialmente, reduz a incidência de novos episódios de diarreia nos 2 a 3 meses seguintes ao tratamento. É uma medida de saúde pública vital para reduzir a morbimortalidade por doenças diarreicas em crianças abaixo de 5 anos.
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