TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
Mulher de 73 anos procura o Pronto-Socorro com quadro de diarreia há 3 dias. Desde o início do quadro, apresenta cerca de 6-8 episódios de diarreia líquida sem muco, sangue ou restos alimentares ao dia. Está apresentando febre diária com temperatura de até 38,1 °C, que cede espontaneamente, e teve cólica hipogástrica leve a moderada. Ninguém na família apresenta quadro semelhante. Ao exame clínico, bom estado geral, estável hemodinamicamente, sem hipotensão postural, e com exame abdominal inocente. Com relação ao caso, é corretor afirmar que:
Idoso + Diarreia (>6 episódios/dia) + Febre → Indicação de antibioticoterapia empírica.
Em idosos com sinais de gravidade como febre e alta frequência evacuatória, o risco de complicações sistêmicas justifica o uso de antibióticos mesmo na ausência de exames laboratoriais imediatos.
O manejo da diarreia aguda no idoso exige cautela devido à menor reserva funcional e maior risco de desidratação rápida e distúrbios hidroeletrolíticos. A decisão de iniciar antibioticoterapia empírica (geralmente com quinolonas como ciprofloxacino) baseia-se na probabilidade de etiologia bacteriana invasiva, sugerida por febre e alta frequência evacuatória. É fundamental equilibrar a necessidade de tratamento com o risco de induzir infecções secundárias, como a por Clostridioides difficile, que é prevalente nesta faixa etária após uso de antimicrobianos.
As indicações clássicas incluem diarreia inflamatória (presença de muco, sangue ou pus), febre alta, mais de 6 a 8 evacuações por dia, pacientes imunocomprometidos, idosos com comorbidades e casos de suspeita de cólera ou shigellose. O objetivo é reduzir a duração dos sintomas, prevenir a disseminação bacteriana e evitar complicações sistêmicas como a sepse, especialmente em populações vulneráveis.
A loperamida é um agente antimotilidade que, embora eficaz em diarreias secretoras leves, pode ser perigosa em diarreias inflamatórias ou invasivas. Ao reduzir o peristaltismo, ela retarda a eliminação de patógenos e toxinas (como a toxina de Shiga ou C. difficile), aumentando o risco de megacólon tóxico e prolongando a gravidade da infecção.
A colonoscopia não é um exame de rotina na diarreia aguda. Ela é reservada para casos de diarreia persistente ou crônica, suspeita de doença inflamatória intestinal, colite isquêmica em idosos com dor abdominal desproporcional, ou quando há sinais de alarme como perda de peso e sangramento retal persistente sem causa infecciosa identificada.
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