Diarreia Aguda em Idosos: Colite por C. difficile

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 75 anos, sexo masculino apresenta há três dias quadro de diarreia de até 10 evacuações diárias, amareladas, aquosas e de pequeno volume, com muco e raias de sangue, além de tenesmo. Apresenta também, dor abdominal em cólica, difusa, de moderada intensidade, além de hiporexia e fraqueza. Há um dia iniciou quadro de febre (38°C), náuseas e vômitos, que o impediam de comer. Em relação ao quadro descrito acima, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Conforme a característica da diarreia, podemos dizer que se trata de uma diarreia do tipo disabsortiva.
  2. B) Doença celíaca é uma possibilidade diagnóstica para esse paciente.
  3. C) As doenças inflamatórias intestinais devem ser investigadas, já que são as doenças mais comuns nessa faixa etária, com quadro de colite aguda.
  4. D) É de suma importância questionar ao paciente sobre uso recente de antibioticoterapia.

Pérola Clínica

Diarreia aguda com muco/sangue, tenesmo, dor abdominal + uso recente de ATB → Investigar Colite por C. difficile.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com diarreia aguda, febre, dor abdominal e presença de muco e sangue nas fezes, o histórico de uso recente de antibióticos é um fator de risco crucial para a colite por Clostridioides difficile. A investigação dessa etiologia é fundamental devido à sua gravidade e necessidade de tratamento específico.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma queixa comum, mas em pacientes idosos, com comorbidades e histórico de uso recente de antibióticos, a investigação deve ser mais aprofundada. O quadro descrito, com diarreia amarelada, aquosa, de pequeno volume, com muco e raias de sangue, tenesmo, dor abdominal, febre, náuseas e vômitos, é altamente sugestivo de uma colite inflamatória. A idade avançada e a gravidade dos sintomas (febre, hiporexia, fraqueza) aumentam a preocupação. A colite por Clostridioides difficile (anteriormente Clostridium difficile) é uma das causas mais importantes de diarreia associada a antibióticos e infecção nosocomial. A antibioticoterapia altera a microbiota intestinal normal, permitindo a proliferação de C. difficile e a produção de toxinas que causam inflamação e dano à mucosa colônica. É crucial questionar sobre o uso recente de antibióticos, pois este é o principal fator de risco. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são vitais para prevenir complicações graves como megacólon tóxico, perfuração intestinal e sepse. As doenças inflamatórias intestinais (DII) são menos comuns nessa faixa etária para um quadro agudo de colite, embora possam ser diferenciais. A doença celíaca é uma diarreia disabsortiva crônica, não se encaixando no quadro agudo inflamatório. Portanto, a investigação de C. difficile é a prioridade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para a colite por Clostridioides difficile?

Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas), idade avançada, hospitalização prolongada, uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades graves.

Como se manifesta clinicamente a colite por Clostridioides difficile?

A colite por C. difficile manifesta-se com diarreia aquosa (que pode ter muco e sangue), dor abdominal em cólica, febre, náuseas, vômitos e tenesmo. Em casos graves, pode evoluir para megacólon tóxico.

Qual o exame diagnóstico para confirmar a infecção por Clostridioides difficile?

O diagnóstico é confirmado pela detecção das toxinas A e B de Clostridioides difficile nas fezes, geralmente por ensaios imunoenzimáticos (EIA) ou testes moleculares (PCR) para o gene da toxina.

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