UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Homem de 68 anos apresenta diarreia líquida, de início há sete dias, acompanhada de febre de 38°C, náuseas e dois episódios de vômitos. Relata oito evacuações por dia, sem muco, pus, sangue ou tenesmo. Com base no caso descrito: Cite a causa mortis mais comum nos quadros mais graves da diarreia aguda.
Diarreia aguda grave → Desidratação → Choque hipovolêmico (principal causa mortis).
A principal causa de óbito em quadros graves de diarreia aguda é o choque hipovolêmico decorrente da desidratação severa e perda crítica de eletrólitos.
A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em extremos de idade. No idoso, a fisiopatologia envolve uma perda rápida de água e solutos que o organismo não consegue compensar devido à redução da taxa de filtração glomerular e menor resposta hormonal à hipovolemia. O quadro clínico descrito (diarreia líquida, febre e vômitos) sugere uma etiologia infecciosa, possivelmente viral ou bacteriana não invasiva, mas a gravidade é determinada pelo estado de hidratação. O manejo deve ser focado na classificação do grau de desidratação. Casos graves exigem intervenção hospitalar com acesso venoso calibroso. A prevenção do óbito depende exclusivamente da manutenção do débito cardíaco através da reposição de fluidos. Ignorar a reposição volêmica em favor de exames diagnósticos demorados é um erro crítico na prática de emergência.
A perda maciça de fluidos e eletrólitos (sódio, potássio e bicarbonato) nas fezes líquidas reduz drasticamente o volume intravascular. Isso resulta em uma queda acentuada do débito cardíaco e da pressão arterial, comprometendo a perfusão de órgãos vitais. Se não houver reposição volêmica imediata, o paciente evolui para choque hipovolêmico, acidose metabólica grave e falência múltipla de órgãos. Em idosos, a baixa reserva funcional e a menor percepção de sede tornam esse desfecho ainda mais rápido e letal.
Os sinais clínicos incluem taquicardia compensatória, hipotensão arterial (muitas vezes tardia), extremidades frias e cianóticas, tempo de enchimento capilar prolongado (> 2 segundos), oligúria ou anúria, e alteração do nível de consciência (letargia ou coma). A presença de mucosas secas, olhos encovados e sinal do prego positivo indica desidratação grave que precede o choque. O reconhecimento precoce desses sinais é fundamental para iniciar a expansão volêmica agressiva.
A conduta imediata é a estabilização hemodinâmica através da reidratação venosa agressiva. Utiliza-se preferencialmente soluções cristaloides isotônicas, como o Ringer Lactato ou Soro Fisiológico 0,9%. O objetivo é restaurar a volemia e a perfusão tecidual o mais rápido possível. Após a estabilização inicial, deve-se monitorar os eletrólitos séricos e o equilíbrio ácido-básico, além de iniciar a reidratação oral assim que o paciente estiver consciente e estável.
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