Diarreia Aguda: Quando Indicar Antimicrobianos Empíricos?

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2024

Enunciado

Em uma unidade de emergência foram atendidos quatro pacientes com quadro de diarreia aguda com as seguintes apresentações:I - Homem de 89 anos com dor abdominal e desidratação severas.II - Mulher de 48 anos com diarreia sanguinolenta, sem febre.III - Homem de 42 anos, em uso de prótese valvar com diarreia há mais de 10 dias.IV - Mulher de 33 anos imunossuprimida por quimioterapia recente. É CORRETO afirmar que está indicada a prescrição empírica de antimicrobianos apenas nos pacientes

Alternativas

  1. A) I, II e III.
  2. B) I, II e IV.
  3. C) I, III e IV.
  4. D) II, III e IV.

Pérola Clínica

Diarreia aguda: ATB empírico indicado em idosos graves, imunossuprimidos, diarreia persistente (>10d) ou disenteria febril.

Resumo-Chave

A indicação de antimicrobianos empíricos na diarreia aguda é restrita a grupos de risco ou apresentações graves, como idosos com desidratação severa, imunossuprimidos, diarreia persistente ou disenteria com febre, para evitar complicações e reduzir a morbidade.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma condição comum, geralmente autolimitada e de etiologia viral. No entanto, em algumas situações específicas, a prescrição empírica de antimicrobianos é crucial para reduzir a morbidade e mortalidade. As principais indicações incluem pacientes com diarreia grave (ex: idosos com desidratação severa), imunossuprimidos (devido ao risco de infecções oportunistas e disseminação), diarreia persistente (com duração superior a 10-14 dias, sugerindo etiologia bacteriana ou parasitária) e disenteria (diarreia sanguinolenta, muitas vezes acompanhada de febre). A avaliação clínica é fundamental para identificar esses grupos de risco. Pacientes idosos são mais vulneráveis à desidratação e complicações. Imunossuprimidos, como aqueles em quimioterapia, têm menor capacidade de combater infecções. A diarreia sanguinolenta com febre sugere infecção invasiva por bactérias como Shigella, Salmonella ou Campylobacter. A presença de prótese valvar, embora não seja uma indicação direta para ATB empírico na diarreia *aguda* não complicada, pode ser um fator de risco para complicações em caso de bacteremia, e diarreia *persistente* (>10 dias) nesse contexto aumenta a suspeita de etiologia tratável. O tratamento empírico deve ser direcionado aos patógenos mais prováveis, considerando o perfil de resistência local. É importante evitar o uso indiscriminado de antibióticos para não selecionar bactérias resistentes e não prolongar a excreção de toxinas em certas infecções. A hidratação oral ou intravenosa permanece a pedra angular do tratamento para a maioria dos casos de diarreia aguda.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para indicar antimicrobianos empíricos na diarreia aguda?

A indicação é para pacientes com diarreia grave (idosos, desidratados), imunossuprimidos, diarreia persistente (>10 dias), ou disenteria (diarreia sanguinolenta com febre).

Por que não se deve usar antimicrobianos em todos os casos de diarreia?

A maioria das diarreias agudas é viral e autolimitada. O uso indiscriminado de antibióticos pode promover resistência bacteriana, prolongar a excreção de toxinas (ex: E. coli O157:H7) e causar efeitos colaterais.

Quais são os principais agentes etiológicos bacterianos que justificam o tratamento empírico?

Agentes como Campylobacter, Shigella, Salmonella (em casos graves ou de risco), Clostridioides difficile (em diarreia associada a antibióticos) e Giardia (em diarreia persistente) podem justificar o tratamento empírico.

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