UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2020
Criança indígena, 5 anos de idade, moradora na aldeia Bororó em Dourados-MS, com história de tosse seca diária, principalmente no período vespertino, há mais de 1 mês, acompanhada de febre esporádica que melhorava com uso de antitérmico, foi levada à Unidade Básica de Saúde (UBS), sendo diagnosticada com pneumonia e tratada com amoxacilina mais clavulanato e broncodilador, porém com persistência da tosse. Foi efetuada busca ativa e sem contato com tuberculose. Realizados PPD não reator e baciloscopia negativa. História vacinal com BCG, no primeiro mês de vida. Ao exame físico, apresentava adinamia e emagrecida. Raios-X de tórax com alargamento de mediastino superior e condensação parenquimatosa em base esquerda. De acordo com o sistema de pontuação para o diagnóstico de tuberculose na infância, preconizado pelo Ministério da Saúde, para esse caso qual a conduta a ser adotada?
TB infantil: PPD/baciloscopia negativos não excluem. Pontuação MS < 3 = não tratar; 3-4 = critério médico; ≥ 5 = tratar.
O diagnóstico de tuberculose em crianças é desafiador, pois PPD e baciloscopia podem ser negativos mesmo na presença da doença. O sistema de pontuação do Ministério da Saúde auxilia na decisão, considerando aspectos clínicos, epidemiológicos, radiológicos e nutricionais. Pontuação 3-4 indica que a decisão de tratar é do médico, ponderando o contexto.
O diagnóstico de tuberculose (TB) em crianças é um desafio significativo devido à dificuldade de isolamento do bacilo, à paucibacilaridade e às manifestações clínicas inespecíficas. O Ministério da Saúde do Brasil desenvolveu um sistema de pontuação para auxiliar os profissionais de saúde na decisão diagnóstica e terapêutica, considerando fatores epidemiológicos, clínicos, radiológicos e laboratoriais. Este sistema é crucial em contextos onde a confirmação bacteriológica é difícil. No caso apresentado, a criança indígena com tosse crônica, febre esporádica, adinamia e emagrecimento, além de uma radiografia de tórax com alargamento de mediastino e condensação, apresenta um quadro clínico e radiológico altamente sugestivo de TB, apesar do PPD não reator e da baciloscopia negativa. A falha terapêutica com antibióticos para pneumonia comum reforça a suspeita. De acordo com o sistema de pontuação do MS, a soma dos pontos para os critérios presentes (contato com TB, sintomas, RX, estado nutricional) pode resultar em uma pontuação intermediária (3 ou 4 pontos). Nesses casos, a decisão de iniciar o tratamento é do médico, que deve ponderar o alto índice de suspeição, o contexto epidemiológico (população indígena de risco) e a gravidade do quadro, mesmo sem confirmação laboratorial definitiva.
O sistema pontua contato com TB, sintomas clínicos (tosse, febre, perda de peso), PPD, radiografia de tórax e exames bacteriológicos. Cada critério recebe uma pontuação específica.
Em crianças, a carga bacilar é frequentemente baixa (paucibacilaridade), dificultando a detecção pela baciloscopia. O PPD pode ser negativo devido à imaturidade imunológica ou em casos de desnutrição grave.
Achados sugestivos incluem alargamento de mediastino (linfonodomegalia hilar ou mediastinal), condensações parenquimatosas, atelectasias, cavidades e derrame pleural.
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