HFCF - Hospital Federal Cardoso Fontes (RJ) — Prova 2015
Segundo a Organização Mundial de Saúde, 9,27 milhões de novos casos de tuberculose são registrados por ano, estimando-se que um terço da população mundial esteja infectada. Aproximadamente 10% dos indivíduos recentemente infectados desenvolverão a doença, principalmente nos 2 primeiros anos pós-infecção, sendo 50% pacientes HIV com CD4 muito baixo. Em relação à tuberculose, é INCORRETO afirmar:
Baciloscopia negativa NÃO afasta tuberculose, especialmente em HIV/imunossuprimidos ou TB extrapulmonar.
A baciloscopia de escarro, embora crucial, tem sensibilidade limitada. Um resultado negativo não exclui o diagnóstico de tuberculose, especialmente em pacientes imunossuprimidos (HIV), com tuberculose extrapulmonar, ou em casos de baixa carga bacilar, exigindo investigação adicional.
A tuberculose (TB) continua sendo um grave problema de saúde pública global, com milhões de novos casos e mortes anualmente. Causada pelo Mycobacterium tuberculosis, a doença afeta predominantemente os pulmões, mas pode acometer qualquer órgão. A transmissão ocorre por via aérea, e a infecção latente é comum, com cerca de 10% dos infectados desenvolvendo a doença ativa, risco significativamente maior em imunossuprimidos, como pacientes com HIV. O diagnóstico da tuberculose pulmonar baseia-se na suspeita clínica (sintomático respiratório: tosse por mais de 3 semanas, febre, sudorese noturna, emagrecimento), exames de imagem e, principalmente, na detecção do bacilo. A baciloscopia direta do escarro é um método rápido e de baixo custo para identificar casos bacilíferos, mas sua sensibilidade é limitada (cerca de 50-70%). Portanto, um resultado negativo não afasta o diagnóstico, especialmente em pacientes com imunossupressão severa (HIV com CD4 baixo), onde a apresentação radiológica pode ser atípica e a carga bacilar menor. Em casos de baciloscopia negativa, a cultura de escarro (padrão ouro), testes moleculares rápidos (como GeneXpert), e exames complementares como radiografia de tórax são essenciais. Para tuberculose extrapulmonar, a baciloscopia é frequentemente negativa, sendo necessário recorrer a biópsias, culturas de outros fluidos corporais e marcadores como a adenosina deaminase (ADA) no líquido pleural para o diagnóstico. A decisão de iniciar o tratamento deve ser baseada no conjunto de evidências clínicas, epidemiológicas e laboratoriais, e não apenas na baciloscopia.
A baciloscopia pode ser negativa em casos de tuberculose extrapulmonar, tuberculose pulmonar com baixa carga bacilar (p.ex., formas paucibacilares), em pacientes imunossuprimidos (como HIV positivos) ou quando a coleta da amostra não foi adequada.
Outros métodos incluem cultura de escarro (padrão ouro), testes moleculares rápidos (GeneXpert), exames de imagem (radiografia/tomografia de tórax), biópsias de tecidos afetados (para TB extrapulmonar) e testes imunológicos como o IGRA.
A dosagem de adenosina deaminase (ADA) no líquido pleural é um marcador importante para o diagnóstico de derrame pleural tuberculoso. Valores elevados (geralmente > 40 U/L) com predomínio linfocitário no exsudato são altamente sugestivos de tuberculose pleural.
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