FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2020
Paciente do sexo feminino, 30 anos, privada de liberdade há 4 meses, foi admitida em Unidade Hospitalar com quadro de emagrecimento de 9Kg em 2 meses, seguido de dor abdominal, acolia fecal e colúria há três semanas e, recente apresentação de dispnéia. Ao exame físico apresentava-se em regular estado geral, dispneica, ictérica +/4+, acianótica, febril e hipocorada; PA: 90 X 60 mmHg; FC: 120 bpm; FR: 26 ipm; T°C: 38,8°C. O exame do pescoço revelou adenomegalia de +/-1,5 a 2,0 cm em cadeia cervical anterior à direita, de consistência borrachóide, não aderidos e dolorosos. Pulmões apresentavam roncos esparsos, crepitações inspiratórias finas difusas; o precórdio apresentava ritmo cardíaco regular em dois tempos, taquicardia e ausência de sopros ou desdobramentos. O abdome estava escavado, tenso, doloroso à palpação de hipocôndrio direito e o fígado palpável a 4 cm do rebordo costal direito; o espaço de Traube estava ocupado e os ruídos hidro-aéreos presentes. As extremidades inferiores apresentavam edema de +/4+. A hipótese diagnóstica de tuberculose foi considerada e o médico assistente optou por:
Suspeita de TB pulmonar/disseminada → baciloscopia e cultura de escarro + antibiograma para guiar tratamento.
Diante de um quadro clínico sugestivo de tuberculose pulmonar e extrapulmonar (dispneia, crepitações, adenomegalia, icterícia colestática) em paciente de risco (privada de liberdade), a conduta inicial mais abrangente e fundamental para o controle e adequação do tratamento é realizar baciloscopia e cultura com antibiograma em amostra respiratória.
A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, com alta prevalência no Brasil e no mundo, especialmente em populações vulneráveis como as privadas de liberdade. A doença pode se manifestar de forma pulmonar ou extrapulmonar, e a apresentação clínica é variada, dependendo do sítio de infecção. A paciente do caso apresenta um quadro complexo, com sinais de TB pulmonar (dispneia, crepitações) e extrapulmonar (adenomegalia cervical, icterícia colestática, hepatomegalia, dor abdominal), sugerindo uma forma disseminada. O diagnóstico da tuberculose é um pilar fundamental para o controle da doença. Para a TB pulmonar, a baciloscopia de escarro (pesquisa de BAAR) é o método inicial, rápido e de baixo custo. No entanto, a cultura para micobactérias é considerada o padrão-ouro, pois possui maior sensibilidade e permite a identificação da espécie e, crucialmente, a realização do teste de sensibilidade aos antimicrobianos (TSA), que detecta resistência a drogas como a rifampicina e isoniazida. O teste rápido molecular (TRM-TB) é uma ferramenta moderna que oferece diagnóstico rápido e detecção de resistência à rifampicina. Em casos de suspeita de TB extrapulmonar ou disseminada, a investigação deve ser direcionada aos sítios envolvidos, com coleta de amostras para baciloscopia, cultura e histopatologia. A cultura com antibiograma é essencial para garantir que o tratamento instituído seja eficaz, especialmente em um cenário de aumento da resistência aos antimicrobianos. O tratamento da TB é prolongado e requer adesão rigorosa para evitar falhas terapêuticas e o desenvolvimento de resistência.
Os métodos diagnósticos mais importantes para a tuberculose pulmonar são a baciloscopia de escarro (pesquisa de BAAR), a cultura para micobactérias (padrão-ouro para confirmação e teste de sensibilidade) e o teste rápido molecular (TRM-TB), que detecta o DNA do M. tuberculosis e resistência à rifampicina.
A cultura é crucial porque, além de confirmar o diagnóstico com maior sensibilidade que a baciloscopia, permite a identificação da espécie de micobactéria e, principalmente, a realização do teste de sensibilidade aos antimicrobianos (antibiograma), essencial para detectar resistência e guiar o tratamento adequado.
Populações privadas de liberdade são consideradas de alto risco para tuberculose devido às condições de aglomeração, insalubridade e alta prevalência de comorbidades. A investigação ativa e o diagnóstico precoce são fundamentais para o controle da doença nesses ambientes e para a saúde pública em geral.
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