HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023
Mulher, 32 anos, foi admitida no Pronto Socorro com quadro de dispneia aos mínimos esforços, iniciada há 5 horas, dor torácica ventilatório-dependente à esquerda e dor em MMII há 1 semana. Ao exame físico, apresentava FC de 145 bpm, com ritmo regular, FR de 36 irpm, PA de 110 x75 mmHg, Sat O₂ de 88%, T = 35 ºC. A ausculta cardíaca mostrava ritmo regular, 2T, com hiperfonese de B2 em foco pulmonar, sem sopros. No exame pulmonar, expansibilidade diminuída em bases, FTV diminuído, macicez em base esquerda e MV diminuídos difusamente. Abdome sem alterações. Apresentava edema em MMII direito (+++/IV) mole e indolor, sem dor a dorso-flexão, presença de varizes em MMII. Teve 01 parto há 1 mês, cesariana com complicação e hospitalização por 1 semana. Tomografia de tórax demonstrada a seguir.O diagnóstico da paciente é
Puerpério + dispneia súbita + dor pleurítica + TVP + taquicardia/hipoxemia → TEP.
A paciente apresenta um quadro clássico de Tromboembolismo Pulmonar (TEP), com fatores de risco (puerpério, cesariana, hospitalização), sintomas agudos (dispneia, dor torácica, taquicardia, hipoxemia) e sinais de TVP. A hiperfonese de B2 em foco pulmonar sugere hipertensão pulmonar aguda, comum no TEP.
O Tromboembolismo Pulmonar (TEP) é uma das principais causas de mortalidade materna no puerpério, sendo crucial o reconhecimento precoce e o manejo adequado. O período puerperal, especialmente após uma cesariana e com hospitalização prolongada, confere um estado de hipercoagulabilidade e imobilidade, aumentando significativamente o risco de eventos tromboembólicos. A paciente em questão apresenta um quadro clínico altamente sugestivo de TEP, com dispneia súbita, dor torácica ventilatório-dependente, taquicardia, taquipneia e hipoxemia. Os achados do exame físico, como a hiperfonese de B2 em foco pulmonar, são indicativos de hipertensão pulmonar aguda, uma complicação comum do TEP. A presença de edema em membro inferior direito, mesmo que indolor, reforça a suspeita de trombose venosa profunda (TVP), que é a fonte mais comum dos êmbolos pulmonares. A tomografia de tórax, mencionada no enunciado, é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de TEP, visualizando diretamente os trombos na vasculatura pulmonar. É fundamental que os profissionais de saúde mantenham um alto índice de suspeição para TEP em pacientes no puerpério com sintomas respiratórios agudos, dada a gravidade da condição. O diagnóstico diferencial inclui broncopneumonia, COVID-19, dissecção da aorta, entre outros, mas a combinação de fatores de risco, apresentação clínica e achados de imagem direciona para o TEP. O tratamento imediato com anticoagulação é vital para prevenir a progressão da doença e reduzir a mortalidade.
Os principais fatores de risco incluem cesariana, imobilidade prolongada, multiparidade, obesidade, idade materna avançada, trombofilias preexistentes e complicações no parto ou pós-parto que exijam hospitalização prolongada.
Achados sugestivos incluem taquicardia, taquipneia, hipoxemia, hiperfonese de B2 em foco pulmonar (sugerindo hipertensão pulmonar), e sinais de trombose venosa profunda (edema, dor, empastamento em membros inferiores).
A diferenciação é complexa e exige alta suspeita. TEP é caracterizado por início súbito, dor pleurítica, hipoxemia e taquicardia desproporcionais aos achados pulmonares. A presença de fatores de risco e sinais de TVP são cruciais. Exames de imagem como a angiotomografia de tórax são confirmatórios.
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