Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020
Mulher de 71 anos apresentou um quadro de dor localizada na região torácica anterior esquerda iniciada há 3 dias e falta de ar nas últimas 24 horas. Ela tinha história de hipertensão, diabetes e dislipidemia, mas que ela sempre “controlou bem”, e negou febre ou tosse. Exame físico: pressão arterial: 115 x 80 mmHg, frequência cardíaca: 96 bpm, frequência respiratória: 32 ipm e saturação de oxigênio: 85%; ausculta pulmonar com murmúrio audível bilateralmente, sem ruídos adventícios. Radiografia de tórax sem alterações relevantes e o ECG é mostrado a seguir.Em relação à principal hipótese diagnóstica, é correto afirmar:
TEP: hipoxemia, taquipneia, dor torácica, Rx tórax normal. Dímero D semiquantitativo não afasta TEP.
A paciente apresenta quadro clínico sugestivo de TEP (dor torácica, dispneia, taquipneia, hipoxemia grave, fatores de risco como idade e comorbidades, e radiografia de tórax normal). Métodos semiquantitativos de Dímero D (como látex) possuem menor sensibilidade e são menos confiáveis para excluir TEP, especialmente em pacientes com probabilidade intermediária ou alta.
O Tromboembolismo Pulmonar (TEP) é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela oclusão de uma ou mais artérias pulmonares por um trombo, geralmente originado de uma trombose venosa profunda (TVP). A paciente do caso apresenta um quadro clínico altamente sugestivo de TEP, com dor torácica, dispneia súbita, taquipneia, hipoxemia grave e radiografia de tórax normal, em um contexto de múltiplos fatores de risco cardiovascular. O diagnóstico rápido e preciso é fundamental para instituir o tratamento adequado e reduzir a mortalidade. A dosagem do Dímero D é uma ferramenta importante na investigação do TEP, principalmente para excluir o diagnóstico em pacientes com baixa ou intermediária probabilidade pré-teste. No entanto, é crucial que o método de dosagem seja quantitativo e de alta sensibilidade. Métodos semiquantitativos, como o de aglutinação por látex, possuem sensibilidade inferior e não são recomendados para afastar o TEP, pois podem apresentar resultados falsamente negativos, levando a um manejo inadequado e riscos para o paciente. A gasometria arterial pode revelar hipoxemia e hipocapnia, mas não é diagnóstica e pode ser normal em até 20% dos casos. O ecocardiograma pode mostrar sinais de sobrecarga do ventrículo direito, mas não é o exame de primeira linha para o diagnóstico direto do TEP. A angiotomografia de tórax é o padrão-ouro para a confirmação diagnóstica, sendo indicada após a estratificação de risco e, se necessário, a dosagem de Dímero D quantitativo.
Os principais sinais e sintomas de TEP incluem dispneia súbita, dor torácica pleurítica, taquipneia, taquicardia, tosse, hemoptise e, em casos graves, síncope e hipotensão. A hipoxemia é comum, mas a radiografia de tórax pode ser normal.
Métodos semiquantitativos de Dímero D, como o de látex, possuem menor sensibilidade e especificidade em comparação com os métodos quantitativos. Eles podem apresentar resultados falsamente negativos, especialmente em pacientes com alta probabilidade clínica, e não são confiáveis para excluir o TEP com segurança.
Além da avaliação clínica e do Dímero D (quantitativo), a angiotomografia de tórax é o exame de imagem de escolha para confirmar o TEP. Outros exames incluem ECG (pode mostrar sinais de sobrecarga de VD), gasometria arterial (hipoxemia, hipocapnia) e ecocardiograma (disfunção de VD).
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