Hepatite Aguda: Diagnóstico em Portador Crônico de HBV

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente, usuário de drogas ilícitas, inclusive injetáveis, 28 anos de idade, procurou serviço de pronto atendimento com queixa de fraqueza, astenia, náuseas e olhos amarelados há 5 dias. Referia ainda urina escura e fezes claras. Ao exame físico, mostrava hepatomegalia (3 cm abaixo rebordo costal) e icterícia. Os exames laboratoriais: AST/TGO: 860 UI: ALT/TGP: 1200 UI/I; HBsAg reagente; Anti HBc IgM não reagente; Anti-HBc IgG: reagente; Anti-HVA IgM reagente, Qual o provável diagnóstico etiológico?

Alternativas

  1. A) Hepatite B reagudizada pela Hepatite A
  2. B) Hepatite B em portador crônico do vírus da hepatite A.
  3. C) Hepatite A em portador crônico do vírus hepatite B.
  4. D) Hepatite A em paciente imune para vírus da hepatite B.

Pérola Clínica

HBsAg+, Anti-HBc IgG+, Anti-HBc IgM- = Hepatite B crônica; Anti-HVA IgM+ = Hepatite A aguda.

Resumo-Chave

O paciente apresenta marcadores sorológicos de hepatite B crônica (HBsAg reagente, Anti-HBc IgG reagente, Anti-HBc IgM não reagente) e de hepatite A aguda (Anti-HVA IgM reagente). Portanto, o quadro clínico de hepatite aguda é devido a uma superinfecção por Hepatite A em um portador crônico de Hepatite B.

Contexto Educacional

O diagnóstico etiológico das hepatites virais é um tema central na gastroenterologia e infectologia, frequentemente abordado em provas de residência. A interpretação correta dos marcadores sorológicos é essencial para diferenciar infecções agudas, crônicas, passadas ou imunidade. A apresentação clínica de icterícia, colúria e acolia fecal, juntamente com elevação acentuada das transaminases, sugere um quadro de hepatite aguda. Neste caso, a presença de HBsAg reagente e Anti-HBc IgG reagente, com Anti-HBc IgM não reagente, indica que o paciente é um portador crônico do vírus da hepatite B. Isso significa que ele tem o vírus há mais de 6 meses e não está em fase aguda de infecção primária ou reativação. O quadro agudo atual é explicado pelo Anti-HVA IgM reagente, que é o marcador de infecção aguda pelo vírus da hepatite A. Portanto, o paciente está experimentando uma hepatite A aguda sobreposta a uma hepatite B crônica. Essa situação é conhecida como superinfecção e pode ter um curso clínico mais grave em pacientes com doença hepática preexistente. O histórico de uso de drogas injetáveis aumenta o risco para infecções por hepatites B e C, enquanto a hepatite A é transmitida principalmente por via fecal-oral.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar uma infecção aguda de hepatite B de uma hepatite B crônica?

A infecção aguda por hepatite B é caracterizada pela presença de HBsAg e Anti-HBc IgM. Na hepatite B crônica, o HBsAg permanece reagente por mais de 6 meses, mas o Anti-HBc IgM é não reagente, com Anti-HBc IgG reagente.

Quais marcadores sorológicos indicam hepatite A aguda?

A hepatite A aguda é diagnosticada pela presença de Anti-HVA IgM reagente. Este anticorpo surge precocemente na infecção e indica uma fase ativa da doença.

Qual a importância de identificar uma coinfecção ou superinfecção em hepatopatas?

Identificar coinfecções ou superinfecções é crucial em hepatopatas, pois a agressão hepática combinada pode levar a quadros mais graves de insuficiência hepática aguda ou descompensação de doença crônica preexistente, exigindo manejo específico.

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