HEAA-FMC - Hospital Escola Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2017
Uma mulher bastante ativa de 79 anos consulta o clínico geral com fadiga e palpitações. Ela está preocupada com as palpitações, que costumam iniciar quando ela usa o aspirador de pó. Após realizar a anamnese e o exame físico, o médico decide solicitar um eletrocardiograma e exames de sangue para excluir algum problema cardíaco ou hipertireoidismo. Ambos os testes são normais. Nas consultas de seguimento, a paciente comenta repetidas vezes sobre suas palpitações. Ela pergunta se o problema tem alguma relação com a sua glândula tireóide. O médico responde que realizou exames da glândula e que está bem. Ela parece aceitar isso e diz: " Bem, doutor, tudo depende de como a vida é vivida". O médico responde: " O que você quer dizer com isso?". E a mulher fala, então, sobre uma história importante em sua vida. Ela conta sobre ter ido para um convento com 16 anos de idade e sobre os momentos ruins pelos quais passou ali. A madre superiora atribuía a ela todas as tarefas desagradáveis e a rebaixava à condição de faxineira. Ela sofria bullying por parte de suas colegas. Após vários anos, ela teve que deixar o convento. Por fim, ela conta ao médico: “Pode ser por isso que eu tenho essas palpitações quando uso o aspirador de pó”. Durante uma consulta de seguimento dor outra queixa clínica, cerca de meio ano mais tarde, a paciente diz que suas palpitações desapareceram completamente desde a sua última consulta. Os sintomas são, algumas vezes, a manifestação de uma doença. No entanto, com freqüencia os sintomas não estão relacionados a uma doença específica. No caso descrito, o clínico geral fez um “diagnóstico sintomático”. Que porcentagem de todos os diagnósticos de um clínico geral são “diagnósticos sintomáticos” ao ano?
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