Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2022
Paciente, 14 anos de idade, sexo feminino, sem comorbidades, excelente rendimento escolar, pais sem consanguinidade, evoluiu com formigamento em membros inferiores, que progride no dia subsequente com fraqueza de membros inferiores a impedindo de deambular. Mãe relata que filha há 21 dias teve Covid-19 confirmado por RT-PCR, mas que já estava assintomática há mais de 10 dias. Ao exame físico, a paciente apresentava arreflexia aquileu, patelar e bicipital, nervos cranianos preservados e sinais e sintomas de disautonomia (taquicardia, picos hipertensivos e sudorese). Realizada propedêutica que mostrou hemograma sem alterações, líquor: células: 01 cel/mm³, hemácias: 05 hem/mm³, glicose: 67 mg/dL e proteína: 85 mg/dL.Diante do caso descrito, qual é a melhor hipótese diagnóstica?
Fraqueza ascendente + arreflexia + disautonomia + infecção prévia (COVID-19) + líquor com ↑ proteína = SGB.
O caso descreve uma paciente jovem com fraqueza ascendente, arreflexia e disautonomia, precedida por infecção por COVID-19, e com achados de dissociação albumino-citológica no líquor (proteínas elevadas com células normais). Este conjunto de sintomas e achados laboratoriais é clássico da Síndrome de Guillain-Barré, uma complicação neurológica pós-infecciosa.
A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda, caracterizada por fraqueza muscular progressiva e arreflexia. É a causa mais comum de paralisia flácida aguda adquirida e frequentemente segue uma infecção, como as respiratórias ou gastrointestinais. Recentemente, a associação entre SGB e COVID-19 tem sido documentada, com o vírus SARS-CoV-2 atuando como um gatilho para a resposta autoimune que danifica os nervos periféricos. O quadro clínico típico da SGB envolve o desenvolvimento de parestesias e fraqueza em membros inferiores, que progride de forma ascendente, podendo afetar membros superiores, tronco e músculos bulbares e respiratórios. A arreflexia é um achado cardinal. Sintomas disautonômicos, como taquicardia, hipertensão ou hipotensão, e sudorese alterada, também podem estar presentes. O diagnóstico é clínico e corroborado por exames como o líquor, que classicamente mostra dissociação albumino-citológica (aumento de proteínas com poucas células), e a eletroneuromiografia. O tratamento da SGB é uma emergência médica, visando limitar a progressão da doença e acelerar a recuperação. As terapias de escolha são a imunoglobulina intravenosa (IVIg) ou a plasmaférese. O manejo também inclui suporte respiratório, se necessário, e reabilitação. É fundamental o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas, especialmente em pacientes com histórico recente de infecção, para iniciar o tratamento adequado e melhorar o prognóstico.
Os critérios incluem fraqueza progressiva em mais de um membro, arreflexia ou hiporreflexia, e um curso temporal agudo. O caso apresenta fraqueza ascendente, arreflexia, disautonomia e história de infecção prévia (COVID-19), além da dissociação albumino-citológica no líquor, que são achados altamente sugestivos.
A COVID-19, assim como outras infecções virais e bacterianas, pode atuar como um gatilho para a SGB devido a um mecanismo de mimetismo molecular, onde a resposta imune contra o vírus ataca erroneamente os nervos periféricos. A SGB é uma das complicações neurológicas pós-infecciosas reconhecidas da COVID-19.
A SGB é uma neuropatia periférica com arreflexia e fraqueza ascendente, sem nível sensitivo. A ADEM é uma doença desmielinizante do SNC, com encefalopatia e lesões multifocais. A mielite transversa é uma lesão medular, com nível sensitivo, hiperreflexia abaixo da lesão e disfunção esfincteriana, diferentemente da SGB.
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