SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015
Paciente feminina, 48 anos, procurou um gastroenterologista com queixas de diarreia, dor abdominal em cólicas, além de rubor facial e sudorese. Refere que suas queixas se iniciaram há mais de um ano, de forma leve, com os sintomas se intensificando progressivamente. O profissional investigou as causas mais comuns de diarreia, inclusive realizou ileocolonoscopia e esofagogastroduodenoscopia que foram normais. Mas desde o atendimento inicial que o profissional tinha em mente a possibilidade de tratar-se de síndrome carcinoide, principalmente pelas queixas de associação da diarreia ao rubor facial. Diante dessa possibilidade, qual a conduta mais adequada na busca da confirmação diagnóstica e qual o tratamento mais indicado?
Síndrome carcinoide: diarreia + rubor facial. Diagnóstico: 5-HIAA urinário, 5-HT sérico. Localização: cintilografia octreotida. Tratamento: cirurgia.
A síndrome carcinoide é suspeitada em pacientes com diarreia crônica, rubor facial e sudorese, após exclusão de causas comuns. O diagnóstico é bioquímico (5-HIAA urinário, 5-HT sérico) e de imagem para localização do tumor (TC, enteróclise, cintilografia com octreotida). O tratamento é cirúrgico, com a extensão da ressecção dependendo do tamanho e localização do tumor.
A síndrome carcinoide é uma condição rara que surge da secreção excessiva de substâncias vasoativas, como serotonina, bradicinina e histamina, por tumores neuroendócrinos (TNEs), mais comumente localizados no trato gastrointestinal (especialmente intestino delgado e apêndice) e brônquios. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em pacientes com diarreia crônica, rubor facial intermitente, dor abdominal e sudorese, após a exclusão de outras causas mais comuns. A apresentação insidiosa e a inespecificidade inicial dos sintomas podem atrasar o diagnóstico por anos. O diagnóstico da síndrome carcinoide é estabelecido por uma combinação de exames bioquímicos e de imagem. O principal marcador bioquímico é o ácido 5-hidroxiindolacético (5-HIAA) na urina de 24 horas, que reflete o metabolismo da serotonina. A dosagem de serotonina (5-HT) no sangue também é útil. Para a localização do tumor primário e de possíveis metástases, são empregados exames como tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) do abdome e pelve, enteróclise (por TC ou RM) para avaliar o intestino delgado, e, crucialmente, a cintilografia com análogos da somatostatina (como octreotida marcada com iodo-131 ou gálio-68), que se liga aos receptores presentes na maioria dos TNEs. O tratamento da síndrome carcinoide é multimodal e depende da localização, tamanho e estadiamento do tumor. A ressecção cirúrgica do tumor primário e das metástases é a principal modalidade terapêutica curativa ou para controle sintomático. Para tumores apendiculares, a conduta varia: tumores pequenos (< 1-2 cm) sem invasão da base ou mesentério podem ser tratados com apendicectomia simples. No entanto, tumores maiores (> 2 cm), com invasão da base apendicular, linfonodos positivos ou margens comprometidas, geralmente exigem uma colectomia direita para garantir a ressecção oncológica adequada. Além da cirurgia, terapias como análogos da somatostatina (octreotida, lanreotida) são utilizadas para controle sintomático e do crescimento tumoral.
Os principais sintomas da síndrome carcinoide resultam da liberação de substâncias vasoativas pelos tumores neuroendócrinos, incluindo diarreia crônica, rubor facial (flushing), dor abdominal em cólicas, broncoespasmo e, em casos avançados, valvulopatia cardíaca direita.
O diagnóstico laboratorial da síndrome carcinoide é feito principalmente pela dosagem do ácido 5-hidroxiindolacético (5-HIAA) na urina de 24 horas, que é o principal metabólito da serotonina, e pela dosagem de 5-hidroxitriptamina (5-HT ou serotonina) no sangue. É importante orientar o paciente sobre restrições dietéticas antes da coleta.
Para localizar os tumores carcinoides, utilizam-se tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) do abdome, enteróclise por TC ou RM, e cintilografia com análogos da somatostatina (ex: octreotida marcada com iodo-131 ou gálio-68), que detecta receptores de somatostatina presentes nesses tumores. Para tumores apendiculares, a conduta depende do tamanho: tumores < 1-2 cm podem ser tratados com apendicectomia simples, enquanto tumores > 2 cm, com invasão da base ou mesentério, ou com linfonodos positivos, geralmente requerem colectomia direita.
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