Sífilis na Gestação: Diagnóstico e Tratamento Imediato

UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Gestante, G1 P0, iniciou o pré-natal com 10 semanas no HUGG. Na primeira consulta, foram realizados testes rápidos para Sífilis, hepatite B, hepatite C e HIV, sendo todos os resultados não reativos. Na 28ª semana, o teste rápido para sífilis foi repetido e o resultado foi reativo. De acordo com o achado, qual a melhor conduta terapêutica?

Alternativas

  1. A) Três doses de penicilina benzatina, 2.400.000 UI cada, com intervalo de 7 dias entre elas.
  2. B) Dose única de penicilina benzatina, 2.400.000 UI, intramucular.
  3. C) Solicitar VDRL e tratar com penicilina benzatina, somente se a titulação for > 1:4.
  4. D) Realizar punção lombar e, caso positiva, tratar com penicilina cristalina por 7 dias.
  5. E) Realizar um teste treponêmico para confirmar o diagnóstico e excluir cicatriz sorológica.

Pérola Clínica

Teste rápido sífilis reativo na gestação após negativo prévio → Sífilis recente → Penicilina benzatina 2.400.000 UI IM dose única.

Resumo-Chave

Uma gestante com teste rápido para sífilis reativo na 28ª semana, após um resultado não reativo na 10ª semana, indica uma infecção recente (sífilis primária, secundária ou latente recente). Nesses casos, a conduta terapêutica é a administração de uma dose única de penicilina benzatina 2.400.000 UI intramuscular.

Contexto Educacional

O diagnóstico e tratamento precoce da sífilis na gestação são pilares fundamentais para a prevenção da sífilis congênita. A realização de testes rápidos para sífilis na atenção primária tem ampliado o acesso ao diagnóstico, permitindo intervenções mais rápidas. A interpretação dos resultados dos testes treponêmicos (como o teste rápido) e não treponêmicos (como o VDRL) é crucial para definir a conduta. No caso de uma gestante com teste rápido reativo após um teste não reativo anterior, presume-se uma infecção recente. As fases iniciais da sífilis (primária, secundária e latente recente) são tratadas com uma dose única de penicilina benzatina 2.400.000 UI, administrada por via intramuscular. É imperativo que o tratamento seja iniciado o mais rápido possível para minimizar o risco de transmissão vertical e suas graves consequências para o feto. É importante ressaltar que a penicilina benzatina é o único tratamento com eficácia comprovada para a sífilis na gestação e para a prevenção da sífilis congênita. A punção lombar e a solicitação de VDRL para decidir o tratamento são condutas que atrasam a intervenção e não são recomendadas na fase aguda do diagnóstico em gestantes, a menos que haja suspeita de neurossífilis. O tratamento do parceiro também é essencial para evitar a reinfecção.

Perguntas Frequentes

Qual a importância de repetir o teste rápido para sífilis na gestação?

A repetição do teste rápido para sífilis é crucial para identificar novas infecções que possam ter ocorrido após o primeiro teste. Recomenda-se a testagem na primeira consulta de pré-natal, no segundo e terceiro trimestres (idealmente na 28ª semana) e no momento do parto, se não houver testagem recente.

Quando se indica uma dose única de penicilina benzatina para sífilis na gestação?

A dose única de penicilina benzatina (2.400.000 UI IM) é indicada para sífilis primária, secundária ou latente recente (com menos de um ano de evolução). O caso descrito, com teste negativo na 10ª semana e reativo na 28ª, sugere uma infecção recente.

Por que não se deve esperar o resultado do VDRL para iniciar o tratamento em gestantes?

Em gestantes, o risco de transmissão vertical da sífilis é alto e o tempo é crítico. Diante de um teste treponêmico reativo (como o teste rápido), o tratamento deve ser iniciado imediatamente para proteger o feto, sem aguardar a titulação do VDRL, que pode atrasar a conduta.

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