USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Secundigesta, 27 anos, 28 semanas de idade gestacional, parceria sexual inconstante e início tardio de pré-natal. Na anamnese negou alterações clínicas compatíveis com sífilis. Sem alterações no exame físico e ginecológico/obstétrico. Exames laboratoriais: quimioluminescência para sífilis reagente e Rapid Plasma Reagin (RPR) não reagente. Considerando as atuais diretrizes do Ministério da Saúde para o diagnóstico sorológico da sífilis, qual seria a melhor estratégia para este caso?
Quimioluminescência reagente + RPR não reagente em gestante → solicitar outro teste treponêmico para confirmar sífilis.
Em gestantes, um teste treponêmico reagente (como a quimioluminescência) e um não treponêmico (RPR) não reagente sugere sífilis latente ou tratada. A conduta é confirmar com outro teste treponêmico para diferenciar e guiar o tratamento adequado.
A sífilis na gestação representa um grave problema de saúde pública devido ao risco de transmissão vertical e desenvolvimento da sífilis congênita, que pode levar a desfechos perinatais adversos e sequelas graves para o recém-nascido. O rastreamento sorológico é mandatório em todas as gestantes, idealmente no primeiro trimestre, no terceiro trimestre e no momento do parto, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. A identificação e o tratamento precoces são fundamentais para interromper a cadeia de transmissão. O diagnóstico sorológico da sífilis em gestantes segue um algoritmo específico. Um teste treponêmico reagente (como a quimioluminescência ou FTA-Abs) em conjunto com um teste não treponêmico (RPR ou VDRL) não reagente, especialmente em uma paciente sem histórico de tratamento ou com parceria sexual inconstante, exige a realização de um segundo teste treponêmico. Este segundo teste serve para confirmar a infecção e diferenciar entre sífilis latente (que requer tratamento) e uma cicatriz sorológica de infecção pregressa e tratada. A conduta adequada após a confirmação diagnóstica é iniciar o tratamento com penicilina benzatina, ajustando a dose e o esquema de acordo com o estágio clínico da sífilis. O acompanhamento sorológico com testes não treponêmicos é essencial para monitorar a resposta ao tratamento. É crucial tratar também a parceria sexual para evitar a reinfecção e garantir a interrupção da cadeia de transmissão. A falha em seguir o algoritmo diagnóstico pode levar a subdiagnóstico ou tratamento inadequado, com graves consequências para o binômio mãe-bebê.
O diagnóstico precoce da sífilis na gestação é crucial para prevenir a sífilis congênita, uma condição grave que pode causar aborto, natimorto, prematuridade e diversas sequelas no recém-nascido. O tratamento adequado da gestante interrompe a transmissão vertical.
Este cenário indica a necessidade de um segundo teste treponêmico para confirmação. Pode significar sífilis latente (primária, secundária, terciária ou indeterminada) ou sífilis pregressa já tratada, que ainda mantém a reatividade treponêmica.
Os testes treponêmicos detectam anticorpos específicos contra o Treponema pallidum (FTA-Abs, TP-HA, TP-PA, quimioluminescência). Os não treponêmicos (VDRL, RPR) detectam anticorpos anticardiolipina, que são marcadores de atividade da doença e tituláveis.
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