Sífilis Congênita: Diagnóstico e Manejo do Recém-Nascido

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2023

Enunciado

Quanto à sífilis congênita, é CORRETO afirmar que

Alternativas

  1. A) a presença isolada de sinais clínicos inespecíficos (ex: hepatoesplenomegalia, icterícia e petéquias) não é suficiente para ser considerado um caso sintomático de sífilis congênita, exigindo-se ao menos um sinal patognomônico da doença.
  2. B) as opções antimicrobianas atualmente recomendadas para o tratamento da gestante com diagnóstico de sífilis com a capacidade de tratamento associado do feto são a utilização de penicilina G benzatina 1.200.000 UI, dose única ou eritomicina por 10 dias.
  3. C) independente da realização ou não de tratamento adequado da mãe durante a gestação , deve ser realizada sempre a dosagem do VDRL do recém-nascido, podendo ser acrescentados outros exames laboratoriais e de imagem, a depender de cada caso.
  4. D) é indicado o uso rotineiro de Penicilina G Cristalina ou Penicilina G Procaína em recém-nascidos de mães com sífilis não tratadas ou inadequadamente tratadas durante a gestação, mesmo diante de investigação laboratorial e de imagem normais, devido ao elevado risco de sequelas.
  5. E) só deve ser realizada a coleta do LCR, quando houver indicação formal de tratamento da sífilis. Nesses casos, um LCR alterado indica prolongar o tratamento da meningite luética por mais 4 dias, totalizando 14 dias de tratamento.

Pérola Clínica

Sífilis Congênita: VDRL do RN SEMPRE deve ser dosado, independente do tratamento materno, para guiar a conduta.

Resumo-Chave

A dosagem do VDRL no recém-nascido é um passo fundamental na avaliação da sífilis congênita, sendo obrigatória em todos os casos de mães com sífilis, independentemente da adequação do tratamento materno. Este exame, juntamente com outros dados clínicos e laboratoriais, direciona a investigação e a necessidade de tratamento do neonato, visando prevenir sequelas graves.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença grave e evitável, resultante da transmissão vertical do Treponema pallidum da gestante infectada para o feto. Sua importância clínica reside nas sequelas devastadoras que pode causar, desde aborto e natimorto até manifestações clínicas precoces e tardias que afetam múltiplos sistemas. A epidemiologia brasileira ainda mostra altas taxas de sífilis em gestantes e sífilis congênita, tornando o tema de extrema relevância para a saúde pública e para a prática do residente. O diagnóstico da sífilis congênita no recém-nascido é complexo e baseia-se na avaliação da adequação do tratamento materno, na presença de sinais clínicos no RN e nos resultados de exames laboratoriais, como o VDRL do RN e exames complementares (hemograma, radiografia de ossos longos, LCR). É fundamental dosar o VDRL do RN em todos os casos, independentemente do tratamento materno, pois um título elevado no RN ou a inadequação do tratamento materno são indicativos de infecção fetal. O tratamento da sífilis congênita é feito exclusivamente com penicilina G cristalina, com doses e duração que variam conforme a classificação do caso (confirmado, provável, ou apenas exposto). É crucial que o residente compreenda os diferentes cenários e os critérios para cada tipo de tratamento, bem como a importância da notificação compulsória e do acompanhamento sorológico do RN para monitorar a resposta terapêutica e a cura.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do VDRL no recém-nascido para o diagnóstico de sífilis congênita?

O VDRL no recém-nascido é crucial para avaliar a exposição e a possível infecção. Um título de VDRL no RN maior que o título materno em duas diluições (ex: mãe 1:4, RN 1:16) ou um VDRL reativo em RN de mãe não tratada/inadequadamente tratada, indica infecção e a necessidade de tratamento.

Quando é indicada a coleta de LCR em recém-nascidos com suspeita de sífilis congênita?

A coleta de LCR é indicada em recém-nascidos com sífilis congênita confirmada ou provável, especialmente se a mãe foi inadequadamente tratada, se o RN apresenta sinais clínicos de sífilis, ou se o VDRL do RN é muito elevado. É fundamental para descartar neurossífilis.

Quais são os principais sinais clínicos da sífilis congênita precoce?

Os sinais clínicos da sífilis congênita precoce (até 2 anos) são variados e inespecíficos, incluindo hepatoesplenomegalia, icterícia, petéquias, rinite serossanguinolenta, lesões cutâneas (pênfigo palmoplantar, rash maculopapular), osteocondrite e pseudoparalisia de Parrot.

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