AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2023
Em relação à sífilis, analise as assertivas abaixo:I. Testes sorológicos lipoidais positivos com títulos 1:4 confirmam o diagnóstico de sífilis.II. Os testes treponêmicos utilizados para confirmar testes lipoidais reagentes têm um valor preditivo positivo bastante elevado para o diagnóstico de sífilis.III. A penicilina B benzatina, quando utilizada em altas doses, pode ser usada para o tratamento de neurossífilis. Quais estão corretas?
Testes treponêmicos (FTA-Abs, TPHA) são confirmatórios para sífilis e têm alto VPP, mas não monitoram tratamento.
Testes sorológicos lipoidais (não treponêmicos como VDRL) positivos com títulos 1:4 são sugestivos, mas não confirmam o diagnóstico de sífilis sem um teste treponêmico. A penicilina B benzatina não é usada para neurossífilis; para esta, usa-se penicilina cristalina aquosa.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum, com manifestações clínicas variadas e que pode afetar múltiplos sistemas orgânicos. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir complicações graves, como a neurossífilis e a sífilis congênita. A compreensão dos testes sorológicos é fundamental para o residente. O diagnóstico da sífilis baseia-se na combinação de testes sorológicos. Os testes não treponêmicos (como VDRL e RPR) são utilizados para triagem e monitoramento da resposta ao tratamento, pois seus títulos tendem a diminuir após a terapia. No entanto, um teste não treponêmico reagente não confirma o diagnóstico isoladamente, pois pode haver falso-positivos. A confirmação é feita por um teste treponêmico (como FTA-Abs, TPHA ou TPPA), que detecta anticorpos específicos contra o Treponema pallidum e possui um valor preditivo positivo elevado. Esses testes geralmente permanecem reagentes por toda a vida, mesmo após o tratamento. Em relação ao tratamento, a penicilina é a droga de escolha. Para a sífilis primária, secundária e latente recente, a penicilina benzatina intramuscular é eficaz. Contudo, para a neurossífilis, que é uma forma grave da doença com envolvimento do sistema nervoso central, a penicilina cristalina aquosa intravenosa em altas doses é o tratamento padrão. A penicilina benzatina não é utilizada para neurossífilis devido à sua baixa penetração na barreira hematoencefálica, não atingindo concentrações terapêuticas no líquor.
Testes não treponêmicos (VDRL, RPR) detectam anticorpos contra lipídios liberados por células danificadas e pelo Treponema pallidum; são úteis para triagem e monitoramento do tratamento. Testes treponêmicos (FTA-Abs, TPHA, TPPA) detectam anticorpos específicos contra o Treponema pallidum; são confirmatórios e geralmente permanecem reagentes por toda a vida.
O diagnóstico de sífilis é confirmado pela positividade de um teste não treponêmico (com títulos) e um teste treponêmico. Em casos de testes não treponêmicos reagentes, a confirmação com um teste treponêmico é essencial para diferenciar sífilis ativa de cicatriz sorológica ou falso-positivos.
O tratamento para neurossífilis requer penicilina cristalina aquosa intravenosa em altas doses, pois esta atinge concentrações terapêuticas no sistema nervoso central. A penicilina benzatina não é indicada para neurossífilis porque não atinge níveis adequados no líquor para erradicar a infecção no SNC.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo