Sífilis na APS: Diagnóstico e Tratamento Corretos

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024

Enunciado

Assinale a alternativa correta em relação ao diagnóstico e tratamento da sífilis na APS.

Alternativas

  1. A) O VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) é um exame treponêmico e serve para o diagnóstico e acompanhamento pós-terapêutico.
  2. B) O VDRL passa a ser positivo após a 2a semana do aparecimento do cancro duro e costuma atingir seus valores mais elevados na fase secundária.
  3. C) A aplicação da penicilina benzatina não deve ser realizada na UBS, pelo risco da reação anafilática à penicilina.
  4. D) O tratamento da sífilis latente tardia, com mais de um ano de evolução (ou latente com duração ignorada), e da sífilis terciária é feito com benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões de UI, intramuscular, em dose única.

Pérola Clínica

VDRL é teste não-treponêmico, positivo após 2 semanas do cancro duro, pico na sífilis secundária.

Resumo-Chave

O VDRL é um teste não-treponêmico utilizado para triagem e acompanhamento da sífilis. Ele se torna reativo cerca de 1-2 semanas após o aparecimento do cancro duro e atinge seus títulos mais elevados na fase secundária da doença, refletindo a atividade da infecção.

Contexto Educacional

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, com grande relevância em saúde pública devido ao seu potencial de causar complicações graves se não tratada, incluindo sífilis congênita. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado na Atenção Primária à Saúde (APS) são fundamentais para o controle da doença. A compreensão dos testes diagnósticos e dos esquemas terapêuticos é essencial para os profissionais de saúde. O diagnóstico da sífilis baseia-se na combinação de testes treponêmicos e não-treponêmicos. Os testes não-treponêmicos, como o VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) e o RPR (Rapid Plasma Reagin), detectam anticorpos anticardiolipina e são úteis para triagem, diagnóstico de atividade da doença e acompanhamento pós-tratamento, pois seus títulos diminuem com o tratamento eficaz. O VDRL geralmente se torna reativo cerca de 1 a 2 semanas após o aparecimento do cancro duro (lesão primária) e atinge seus títulos mais elevados na fase secundária da sífilis, quando há maior carga bacteriana. O tratamento da sífilis é feito com penicilina benzatina, sendo a dose e o esquema variáveis conforme o estágio da doença. Para sífilis primária, secundária e latente recente (< 1 ano), a dose é única de 2,4 milhões de UI. Para sífilis latente tardia (> 1 ano ou duração ignorada) e sífilis terciária, o esquema é de 2,4 milhões de UI por semana, durante três semanas consecutivas. A aplicação da penicilina benzatina é segura na UBS, desde que haja estrutura para manejo de eventuais reações anafiláticas, que são raras. O acompanhamento com VDRL é crucial para monitorar a resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre testes treponêmicos e não-treponêmicos para sífilis?

Testes treponêmicos (FTA-Abs, TP-PA, ELISA, TPHA) detectam anticorpos específicos contra o Treponema pallidum e permanecem reativos por toda a vida. Testes não-treponêmicos (VDRL, RPR) detectam anticorpos anticardiolipina, são quantitativos e refletem a atividade da doença, sendo úteis para diagnóstico e acompanhamento.

Como é o tratamento da sífilis latente tardia ou de duração ignorada?

O tratamento da sífilis latente tardia ou de duração ignorada é feito com Penicilina G benzatina, 2,4 milhões de UI, por via intramuscular, administrada em três doses, com intervalo de uma semana entre as doses (total de 7,2 milhões de UI).

A penicilina benzatina pode ser aplicada na UBS?

Sim, a aplicação de penicilina benzatina deve ser realizada na UBS, seguindo os protocolos de segurança, incluindo a observação do paciente por 30 minutos após a aplicação para monitorar possíveis reações anafiláticas, que são raras, mas graves.

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