Diagnóstico de Sífilis: Interpretação de VDRL e Testes Treponêmicos

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025

Enunciado

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) de grande relevância, pois além da possibilidade de transmissão vertical com morbimortalidade fetal, durante a infecção adquirida, pode cursar com sequelas neurológicas incapacitantes. Na avaliação dos casos é indicado:

Alternativas

  1. A) Tratar o paciente sem histórico de tratamento, que apresente VDRL 1/2 e dois testes treponêmicos de metodologias diferentes reagentes.
  2. B) Investigar neurossifilis em pacientes vivendo com HIV que apresentem queda de 1 diluição do VDRL após 3 meses de tratamento.
  3. C) Acompanhar gestantes infectadas com VDRL quantitativo de controle a cada 3 meses.
  4. D) Solicitar FTA-Abs no líquor nos casos suspeitos de neurossífilis.

Pérola Clínica

VDRL (+) mesmo em baixos títulos + Teste Treponêmico (+) sem tratamento prévio = Diagnóstico de Sífilis.

Resumo-Chave

O diagnóstico de sífilis requer a combinação de testes treponêmicos e não treponêmicos; títulos baixos de VDRL em pacientes virgens de tratamento indicam infecção ativa.

Contexto Educacional

A sífilis, causada pelo *Treponema pallidum*, permanece um desafio de saúde pública. O diagnóstico baseia-se em dois tipos de testes: os não treponêmicos (VDRL, RPR), que são quantitativos e úteis para seguimento, e os treponêmicos (Teste Rápido, FTA-Abs, TPHA), que são os primeiros a positivar e geralmente permanecem reagentes pelo resto da vida (cicatriz).\n\nNa prática clínica, o fluxograma diagnóstico pode começar por qualquer um dos testes. Se o teste inicial for reagente, deve-se realizar o outro tipo para confirmação. Em casos de discordância ou títulos muito baixos, a história clínica e o histórico de tratamentos anteriores são fundamentais para decidir a conduta. A neurossífilis deve ser investigada em qualquer paciente com sintomas neurológicos, oculares ou otológicos, independentemente do estágio da doença ou status de HIV.

Perguntas Frequentes

Como interpretar um VDRL de 1:2 em paciente sem histórico de tratamento?

Em um paciente sem histórico de tratamento prévio, qualquer título de VDRL (mesmo 1:1 ou 1:2), desde que confirmado por um teste treponêmico reagente (como Teste Rápido, FTA-Abs ou ELISA), deve ser considerado como sífilis adquirida e o tratamento deve ser iniciado imediatamente. Não se deve assumir 'cicatriz sorológica' sem documentação de tratamento anterior adequado.

Qual o papel do FTA-Abs no diagnóstico de neurossífilis?

O FTA-Abs no líquor possui alta sensibilidade, mas baixa especificidade. Sua utilidade clínica reside principalmente no seu valor preditivo negativo: se o FTA-Abs no líquor for negativo, o diagnóstico de neurossífilis é altamente improvável. No entanto, um resultado positivo não confirma a doença isoladamente, sendo necessário avaliar a celularidade, proteínas e o VDRL no líquor (que é o teste padrão-ouro pela sua alta especificidade).

Qual o seguimento de gestantes com sífilis?

O acompanhamento de gestantes tratadas para sífilis deve ser rigoroso, com a realização do VDRL quantitativo mensalmente (e não a cada 3 meses) para avaliar a resposta ao tratamento e detectar possíveis reinfecções. O sucesso do tratamento é indicado pela queda dos títulos em duas diluições em 3 a 6 meses ou quatro diluições em 12 meses.

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