RPM Pré-termo: Diagnóstico e Conduta Expectante

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022

Enunciado

Multípara, 38 anos, com 29 semanas de gestação, relata 3 episódios de perda de líquido por via vaginal nas últimas 24 horas. Nega contrações ou queixas urinárias e relata boa movimentação fetal. PA 120x70 mmHg, FC 78 bpm, Tax 36,6 ºC, AU 25 cm, BCF 128 bpm, dinâmica uterina ausente. Ao exame especular, colo com orifício em fenda, sem evidência de sangramento ou saída de líquido pelo orifício externo do colo mesmo após manobra de Valsalva. Toque não realizado. O teste de cristalização do muco cervical evidenciou aspecto em “folha de samambaia” e o teste com fita reagente evidenciou pH vaginal alcalino, acima de 6,5. Perante as evidências descritas, qual a recomendação para o caso?

Alternativas

  1. A) Internar, solicitar exames laboratoriais e de avaliação da vitalidade fetal; na ausência de sinais de infecção e/ou sofrimento fetal, indicar conduta expectante. 
  2. B) Solicitar exames laboratoriais e cardiotocografia; na ausência de sinais de sofrimento fetal ou infecção materna, internar e prescrever misoprostol para indução do parto vaginal. 
  3. C) Liberar a paciente com solicitação de ultrassonografia obstétrica para confirmar a ausência de amniorrexe, orientar retorno imediato caso ocorra novo episódio de perda de líquido ou dor. 
  4. D) Solicitar realização ambulatorial de EAS, urocultura e ultrassonografia obstétrica, orientando retorno assim que os exames estiverem prontos. 

Pérola Clínica

RPM confirmada (cristalização +, pH alcalino) em 29 semanas sem infecção/sofrimento → Internar, conduta expectante.

Resumo-Chave

A presença de teste de cristalização positivo ("folha de samambaia") e pH vaginal alcalino (>6,5) confirma a ruptura prematura de membranas. Em gestações pré-termo (29 semanas) sem sinais de infecção ou sofrimento fetal, a conduta expectante hospitalar é a mais indicada para prolongar a gestação e permitir a maturação fetal.

Contexto Educacional

A Ruptura Prematura de Membranas (RPM) é uma condição obstétrica comum e importante, definida como a rotura das membranas amnióticas antes do início do trabalho de parto. Quando ocorre antes de 37 semanas, é classificada como RPM pré-termo (RPMPT). O diagnóstico é crucial e baseia-se na história clínica de perda de líquido vaginal, exame especular (visualização de líquido amniótico) e testes complementares como o teste de cristalização ("folha de samambaia") e o teste de pH vaginal (fita de nitrazina, que fica azul em pH alcalino >6,5). A fisiopatologia da RPMPT é multifatorial, envolvendo infecções ascendentes, inflamação, deficiências nutricionais, tabagismo e fatores genéticos. No caso apresentado, os testes confirmam a RPM. A idade gestacional de 29 semanas coloca o feto em risco de prematuridade, mas sem sinais de infecção ou sofrimento fetal, a prioridade é prolongar a gestação para permitir a maturação pulmonar e neurológica. A conduta para RPMPT em gestações entre 24 e 34 semanas, na ausência de infecção ou sofrimento fetal, é a conduta expectante hospitalar. Isso inclui internação, monitoramento rigoroso da mãe (sinais vitais, leucograma, PCR) e do feto (cardiotocografia, perfil biofísico, ultrassonografia para volume de líquido amniótico), uso de corticosteroides para maturação pulmonar fetal e profilaxia antibiótica para prolongar a latência e prevenir infecções. A indução do parto é considerada se houver sinais de infecção, sofrimento fetal ou idade gestacional avançada (geralmente >34 semanas).

Perguntas Frequentes

Quais testes confirmam o diagnóstico de Ruptura Prematura de Membranas (RPM)?

O diagnóstico de RPM é confirmado pela visualização de líquido amniótico, teste de cristalização ("folha de samambaia") e pH vaginal alcalino (nitrazina positiva), além da ultrassonografia para avaliar o volume de líquido amniótico.

Quando a conduta expectante é apropriada em casos de RPM pré-termo?

A conduta expectante é apropriada em RPM pré-termo (geralmente entre 24 e 34 semanas) na ausência de infecção, sofrimento fetal, trabalho de parto ativo ou outras contraindicações, visando prolongar a gestação e permitir a maturação pulmonar fetal.

Quais são os riscos da conduta expectante na RPM pré-termo?

Os riscos da conduta expectante incluem corioamnionite, descolamento prematuro de placenta, prolapso de cordão umbilical e compressão do cordão, exigindo monitoramento rigoroso da mãe e do feto.

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