INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma paciente de 26 anos, com 39 semanas de gestação, comparece ao pronto-socorro da maternidade queixando-se de perda de líquido claro em abundante quantidade há 2 horas. Ela nega outras queixas e refere movimentação fetal ativa. Pré-natal de risco habitual e sem antecedentes pessoais e familiares. Ao exame físico, a paciente apresenta dinâmica uterina ausente, frequência cardíaca fetal de 140 batimentos por minuto com boa variabilidade, feto cefálico e altura uterina de 34 cm. Ao exame especular, apresenta saída de líquido claro com grumos grandes em moderada quantidade e visualizado colo pérvio 1 polpa digital. Com relação a esse caso clínico é possível afirmar que é
RPMO a termo com quadro clínico típico → Diagnóstico é clínico, testes complementares podem ser dispensados.
Em gestantes a termo com queixa de perda de líquido claro em grande quantidade e exame físico que confirma a saída de líquido amniótico pelo colo, o diagnóstico de Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) é eminentemente clínico. Testes complementares são úteis em casos duvidosos, mas não são estritamente necessários quando o quadro é claro.
A Rotura Prematura de Membranas Ovulares (RPMO) a termo é a ruptura das membranas amnióticas após 37 semanas de gestação, antes do início do trabalho de parto. É uma condição comum que afeta aproximadamente 8-10% das gestações a termo e, embora geralmente benigna, requer manejo adequado para prevenir complicações como infecção intra-amniótica (corioamnionite) e sofrimento fetal. O diagnóstico da RPMO a termo é primariamente clínico. A história de perda de líquido claro, inodora, em quantidade variável por via vaginal, associada à visualização direta do líquido amniótico fluindo pelo orifício cervical durante o exame especular, é geralmente suficiente para confirmar o diagnóstico. A presença de grumos de vérnix caseoso no líquido também é um forte indicativo. Em casos de quadro clínico evidente, não é necessário realizar exames complementares como ultrassonografia para avaliar o volume de líquido amniótico ou testes bioquímicos/imunocromatográficos. A conduta após o diagnóstico de RPMO a termo é a indução do trabalho de parto, geralmente dentro de 12-24 horas, para reduzir o risco de infecção materna e fetal, uma vez que o feto já está maduro.
Os sinais mais sugestivos são a queixa de perda de líquido claro ou amarelado pela vagina, que pode ser contínua ou em jatos, e a visualização direta do líquido amniótico fluindo pelo orifício cervical ao exame especular.
Testes complementares como o teste do pH (nitrazina), teste de cristalização em folha de samambaia ou testes imunocromatográficos (ex: PAMG-1, AFP) são indicados em casos de dúvida diagnóstica, quando o quadro clínico não é tão evidente.
Após o diagnóstico de RPMO a termo, a conduta inicial é a indução do trabalho de parto, geralmente com ocitocina, para evitar complicações como corioamnionite e sofrimento fetal, uma vez que o feto já atingiu a maturidade.
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