SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2021
Gestante, 29 anos, G2P1 (1 parto cesariano há 2 anos), com 40 semanas e 5 dias, dá entrada na emergência com dores em baixo ventre tipo cólicas e perda de tampão mucoso. Ao exame observa-se 2 contrações em 10 minutos com duração de 40 segundos cada, tônus uterino fisiológico, BCF de 128 bpm sem desacelerações, Altura uterino de 35 cm, pressão arterial de 140 x 90 mmHg e ao toque vaginal uma cérvico-dilatação de 6 cm, apresentação cefálica, plano 0 de DeLee, bolsa íntegra e variedade de posição em OET. Qual sua conduta inicial:
Gestante a termo com PA 140x90 mmHg e dilatação 6 cm → investigar pré-eclâmpsia e acompanhar trabalho de parto com monitoramento fetal.
A gestante apresenta hipertensão limítrofe (PA 140x90 mmHg) e está em trabalho de parto ativo. É crucial investigar a possibilidade de pré-eclâmpsia (solicitando proteinúria e perfil toxêmico) enquanto se acompanha o trabalho de parto, que parece fisiológico, com monitoramento fetal adequado.
A avaliação de uma gestante a termo em trabalho de parto com hipertensão limítrofe exige uma abordagem sistemática para garantir a segurança materna e fetal. A pressão arterial de 140x90 mmHg, embora não seja uma emergência hipertensiva, levanta a suspeita de hipertensão gestacional ou pré-eclâmpsia, especialmente em uma gestante com 40 semanas e 5 dias. A investigação imediata com proteinúria de fita e perfil toxêmico é fundamental para confirmar ou excluir o diagnóstico de pré-eclâmpsia e determinar a gravidade. Paralelamente à investigação da hipertensão, o trabalho de parto deve ser acompanhado. A paciente apresenta dilatação de 6 cm, indicando fase ativa, e o bem-estar fetal está assegurado por um BCF normal sem desacelerações. Neste contexto, a ausculta fetal intermitente é uma forma adequada de monitoramento, permitindo a progressão fisiológica do trabalho de parto enquanto se aguardam os resultados dos exames maternos. A história de cesariana prévia não contraindica o parto vaginal, desde que não haja outras contraindicações e o monitoramento seja rigoroso. Condutas como cesariana imediata ou aceleração do trabalho de parto com ocitocina/amniotomia seriam precipitadas sem uma avaliação completa. A tocólise com nifedipina seria inadequada, pois a paciente está em trabalho de parto ativo e a hipertensão não é uma indicação para inibir as contrações. O foco deve ser na investigação diagnóstica e no monitoramento cuidadoso.
Deve-se suspeitar de pré-eclâmpsia quando a gestante apresenta hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões com 4 horas de intervalo ou PA ≥ 160/110 mmHg em uma ocasião) após 20 semanas de gestação, acompanhada de proteinúria ou outros sinais de disfunção de órgãos-alvo.
A proteinúria de fita é um exame rápido para triagem de proteinúria, um critério diagnóstico chave para pré-eclâmpsia. O perfil toxêmico (ex: plaquetas, função hepática e renal) avalia a extensão da disfunção de órgãos-alvo, auxiliando na classificação da gravidade da pré-eclâmpsia.
A ausculta fetal intermitente é apropriada para gestantes de baixo risco em trabalho de parto. Neste caso, o BCF está normal e não há desacelerações, indicando bem-estar fetal, o que permite um acompanhamento menos invasivo enquanto se investiga a condição materna.
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