Pré-eclâmpsia: Diagnóstico e Classificação na Gestação

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2025

Enunciado

Marisa, 27 anos, primigesta, com 32 semanas de gestação, vem à quarta consulta de pré-natal. Não relata queixas. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 145 x 95 mmHg em decúbito lateral esquerdo, frequência cardíaca de 80 bpm, altura uterina de 32 cm e frequência cardíaca fetal de 138 bpm. Traz exames: proteinúria de 24 horas com valor de 416 mg e hemograma apresentando contagem de plaquetas de 235.000/mm³. No cartão da gestante, estão registradas as medidas de pressão arterial das consultas anteriores: 110 x 70 mmHg, 120 x 85 mmHg e 150 x 90 mmHg. Qual o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Pré-eclâmpsia leve.
  2. B) Pré-eclâmpsia grave.
  3. C) Iminência de eclampsia.
  4. D) Hipertensão gestacional.
  5. E) Hipertensão arterial crônica.

Pérola Clínica

Gestante > 20 sem + PA ≥ 140x90 mmHg + Proteinúria ≥ 300mg/24h, sem critérios de gravidade = Pré-eclâmpsia.

Resumo-Chave

O diagnóstico de pré-eclâmpsia é firmado em gestante previamente normotensa, após 20 semanas, com hipertensão (PA ≥ 140x90 mmHg) associada a proteinúria (≥ 300mg/24h) ou disfunção de órgão-alvo. Na ausência de sinais de gravidade (como plaquetopenia, disfunção hepática ou renal, sintomas neurológicos), classifica-se como pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade (antiga "leve").

Contexto Educacional

As síndromes hipertensivas são as complicações clínicas mais comuns na gestação, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. A pré-eclâmpsia é uma desordem multissistêmica específica da gravidez, caracterizada pelo surgimento de hipertensão arterial após a 20ª semana de gestação, associada à proteinúria ou evidência de disfunção de órgãos-alvo. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos e laboratoriais bem definidos. A pressão arterial deve ser ≥ 140 mmHg (sistólica) ou ≥ 90 mmHg (diastólica) em pelo menos duas medições. A proteinúria é considerada significativa quando ≥ 300 mg em urina de 24 horas. No caso apresentado, a paciente preenche ambos os critérios (PA 145x95 mmHg e proteinúria de 416 mg) após 20 semanas, firmando o diagnóstico. A classificação entre pré-eclâmpsia com ou sem sinais de gravidade é fundamental para definir a conduta. Como a paciente não apresenta plaquetopenia, níveis pressóricos muito elevados (≥160x110), ou outros sinais de disfunção orgânica grave, o quadro é classificado como pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade (termo que substituiu "pré-eclâmpsia leve"). O manejo visa monitorar a evolução e programar o parto no momento ideal para minimizar riscos maternos e fetais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia?

O diagnóstico requer hipertensão arterial (PA ≥ 140x90 mmHg em duas ocasiões com intervalo de 4h) surgida após 20 semanas de gestação em mulher previamente normotensa, associada a proteinúria (≥ 300mg/24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3) ou, na ausência de proteinúria, disfunção de órgão-alvo (plaquetopenia, insuficiência renal, disfunção hepática, edema pulmonar ou sintomas neurológicos).

Qual a conduta inicial para uma paciente diagnosticada com pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade?

O manejo geralmente é expectante se a gestação for pré-termo (< 37 semanas). Inclui monitoramento materno (PA, exames laboratoriais) e fetal (vitalidade) frequentes, repouso relativo e controle pressórico se necessário. A interrupção da gestação é indicada ao atingir 37 semanas.

Como diferenciar pré-eclâmpsia com e sem sinais de gravidade?

A pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (antiga "grave") é definida pela presença de PA ≥ 160x110 mmHg, plaquetopenia (<100.000/mm³), disfunção hepática (TGO/TGP > 2x LSN), insuficiência renal (creatinina > 1,1 mg/dL), edema agudo de pulmão, ou sintomas cerebrais/visuais (cefaleia, escotomas). A ausência desses critérios classifica o quadro como "sem sinais de gravidade".

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