UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2020
Paciente de 42 anos, etilista social, ex-tabagista (parou há 10 anos), sedentário, procurou atendimento médico queixando de dor em região epigástrica, irradiada para o dorso, constante, associada à náusea e vômito há dois dias, com piora progressiva. Não refere melhora da dor após os vômitos, nota fezes mais claras nas últimas 24 horas e afebril. Ao exame físico nota-se discreta diminuição dos ruídos hidroaéreos, descompressão brusca negativa. Sem outras alterações. Não fez uso de bebida alcoólica nas últimas 72 horas. Exames solicitados mostram aumento da amilase em três vezes o valor de referência. Leucócitos dentro da normalidade, transaminases normais, glicemia 102 mg/dl. Para esta situação clínica o tratamento é:
Pancreatite aguda leve: tratamento clínico de suporte, sem antibióticos, a menos que haja infecção documentada.
O quadro clínico e laboratorial (dor epigástrica irradiada para o dorso, náuseas, vômitos, amilase >3x o valor de referência) é consistente com pancreatite aguda. Sem sinais de infecção ou complicação grave, o tratamento é clínico e de suporte, sem indicação de antibióticos profiláticos ou cirurgia imediata.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas, caracterizada por dor abdominal intensa, geralmente epigástrica e irradiada para o dorso, associada a náuseas e vômitos. A etiologia mais comum é a litíase biliar e o etilismo. O diagnóstico é confirmado pela elevação das enzimas pancreáticas (amilase e/ou lipase) em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, em conjunto com o quadro clínico. O tratamento da pancreatite aguda é predominantemente clínico e de suporte. A hidratação venosa vigorosa é um pilar fundamental, especialmente nas primeiras 24-48 horas, para prevenir a hipovolemia e melhorar a perfusão pancreática. O controle da dor é essencial, e a nutrição enteral precoce é preferível à parenteral, quando possível. A maioria dos casos de pancreatite aguda é leve e resolve-se com medidas de suporte. É crucial entender que o uso rotineiro de antibióticos profiláticos não é recomendado na pancreatite aguda, pois não demonstrou reduzir a morbimortalidade e pode levar ao desenvolvimento de resistência bacteriana. Os antibióticos são reservados para casos de infecção documentada, como necrose infectada, ou quando há suspeita de colangite. A intervenção cirúrgica é rara na fase aguda, sendo indicada apenas para complicações específicas, como necrose infectada que não responde ao tratamento conservador ou coleções fluidas sintomáticas.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, irradiada para o dorso), elevação da amilase ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados característicos em exames de imagem (TC ou RM).
O tratamento inicial é clínico e de suporte, incluindo hidratação venosa agressiva com cristaloides, controle da dor com analgésicos potentes, e suporte nutricional (inicialmente jejum, com progressão para dieta oral assim que tolerado). Antibióticos não são recomendados rotineiramente.
Antibióticos são indicados apenas em casos de pancreatite aguda grave com evidência de infecção, como necrose pancreática infectada, ou em casos de colangite aguda concomitante. Não há benefício no uso profilático de antibióticos em pancreatite aguda leve ou estéril.
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