Pancreatite Aguda: Critérios Diagnósticos e Sinais Chave

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

Uma paciente de 64 anos de idade foi ao serviço de emergência com história de dor epigástrica com irradiação para o dorso e múltiplos episódios de vômitos há dois dias. Ao exame físico, encontrava-se em regular estado geral, desidratada e pálida. Estava com frequência cardíaca de 120 bpm, frequência respiratória de 20 ipm e dor à palpação abdominal epigástrica, com defesa muscular. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Trata-se de pancreatite aguda leve se o ultrassom de abdome não mostrar coleção pancreática.
  2. B) Se a radiografia de tórax não mostrou pneumoperitôneo, não se trata de úlceraduodenal.
  3. C) Trata-se de pancreatite aguda se a dosagem da amilase for cinco vezes acima do normal.
  4. D) Trata-se de infarto agudo do miocárdio, devendo-se realizar cateterismo cardíaco de urgência.
  5. E) Trata-se de abdome agudo. Sendo assim, é indicado tratamento cirúrgico de emergência.

Pérola Clínica

Diagnóstico pancreatite aguda = 2 de 3 critérios: dor típica, amilase/lipase >3x LSN, achados imagem.

Resumo-Chave

O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação da amilase e/ou lipase séricas em pelo menos três vezes o limite superior do normal, e achados característicos em exames de imagem. A alternativa C está correta ao mencionar 'cinco vezes acima do normal', o que certamente excede o critério de 3x.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma inflamação súbita do pâncreas, que pode variar de leve a grave e potencialmente fatal. É uma condição comum em serviços de emergência, exigindo diagnóstico rápido e manejo adequado. A etiologia mais comum é a litíase biliar e o alcoolismo, mas outras causas devem ser investigadas. Residentes devem estar aptos a reconhecer seus sinais e sintomas e a interpretar os exames laboratoriais. O diagnóstico de pancreatite aguda é estabelecido pela presença de pelo menos dois dos três critérios de Atlanta: dor abdominal epigástrica característica (frequentemente irradiando para o dorso), elevação da amilase e/ou lipase séricas em pelo menos três vezes o limite superior do normal, e achados característicos em exames de imagem (como edema pancreático na tomografia computadorizada). A lipase é considerada mais sensível e específica que a amilase. O tratamento inicial da pancreatite aguda é de suporte, incluindo hidratação intravenosa agressiva, analgesia e controle de náuseas e vômitos. A avaliação da gravidade é crucial para identificar pacientes de alto risco que necessitam de monitoramento intensivo. Complicações como necrose pancreática, pseudocistos e insuficiência orgânica devem ser ativamente pesquisadas e manejadas.

Perguntas Frequentes

Quais são os três critérios para o diagnóstico de pancreatite aguda?

Os três critérios para o diagnóstico de pancreatite aguda são: dor abdominal característica (epigástrica, irradiando para o dorso), elevação da amilase e/ou lipase séricas em pelo menos três vezes o limite superior do normal, e achados característicos em exames de imagem (tomografia ou ultrassom).

Qual a importância da amilase e lipase no diagnóstico da pancreatite aguda?

A amilase e a lipase são enzimas pancreáticas que se elevam na pancreatite aguda. A lipase é geralmente mais específica e permanece elevada por mais tempo que a amilase, sendo preferível para o diagnóstico.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais da dor epigástrica com irradiação para o dorso?

Os principais diagnósticos diferenciais incluem úlcera péptica perfurada, colecistite aguda, infarto agudo do miocárdio de parede inferior, dissecção aórtica e cólica biliar.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo