HPM - Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais — Prova 2020
Uma mulher de 62 anos vai ao consultório de Clínica Médica para avaliação periódica de saúde. É assintomática, desconhece doenças atuais ou prévias e nega o uso de medicamentos. A menopausa ocorreu aos 43 anos, quando fez reposição hormonal por 2 anos. Fuma 1 maço de cigarro ao dia há 15 anos e faz uso de 2 latas de cerveja de 360mL aos sábados. Ingere um copo de leite ao dia, mas não faz uso de derivados do leite ou vegetais folhosos. Faz pilates 3 vezes por semana. O exame físico não revela anormalidades. Traz os seguintes resultados de exames. Densitometria óssea: colo do fêmur T-score -2,4; coluna lombar L1-L4 T-score -2,1. Exames de laboratório: 25-OH-vitamina D 26ng/mL (VR >30ng/mL), cálcio total 9,3mg/dL (VR 8,8-10,3mg/dL), albumina 3,6g/dL (VR 3,5-5,5g/dL), paratormônio 65pg/mL (VR 18-88pg/mL); potássio 3,6mEq/L (VR 3,5-5,5mEq/L); sódio 139mEq/L (135-145mEq/L); hemoglobina 14,9g/dL (VR 12-16g/dL); leucócitos 4.590/mm3 (VR 4.000-11.000/mm3); plaquetas 298.000/mm3 (VR 150.000-450.000/mm3); creatinina 0,6mg/dL (VR 0,6-1,2 mg/dL). Assinale a conduta MAIS ADEQUADA para esta paciente.
T-score -2,4 (colo fêmur) + Vit D ↓ + fatores risco → Osteopenia/Osteoporose, suplementar Ca/Vit D, cessar tabagismo, avaliar risco fratura.
A paciente apresenta osteopenia na coluna lombar e osteoporose no colo do fêmur (T-score -2,4), além de deficiência de vitamina D e múltiplos fatores de risco para osteoporose e fraturas (idade, menopausa precoce, tabagismo, etilismo, baixa ingestão de cálcio). A conduta mais adequada envolve a correção da deficiência de vitamina D e cálcio, cessação de hábitos nocivos e avaliação do risco de fratura para decidir sobre terapia farmacológica.
A osteoporose é uma doença esquelética caracterizada por diminuição da resistência óssea, predispondo a um aumento do risco de fraturas. É particularmente prevalente em mulheres pós-menopausa devido à deficiência estrogênica. O diagnóstico é estabelecido principalmente pela densitometria óssea, que avalia a densidade mineral óssea (DMO) e expressa os resultados em T-score. Um T-score ≤ -2,5 em qualquer sítio (coluna lombar, colo do fêmur, fêmur total) confirma o diagnóstico de osteoporose. A paciente em questão apresenta um T-score de -2,4 no colo do fêmur, o que já configura osteoporose nesse sítio, e -2,1 na coluna lombar (osteopenia). Além disso, possui múltiplos fatores de risco, como idade avançada, menopausa precoce, tabagismo, etilismo social e deficiência de vitamina D (25-OH-vitamina D de 26 ng/mL). A atividade física de impacto, como pilates, é benéfica para a saúde óssea e não deve ser interrompida, a menos que haja fraturas recentes ou alto risco iminente. A conduta inicial mais adequada envolve a correção dos fatores de risco modificáveis e a suplementação. É crucial orientar a cessação do tabagismo e do etilismo, que são prejudiciais à saúde óssea. A suplementação oral de cálcio e colecalciferol (vitamina D) é essencial para corrigir a deficiência e otimizar a saúde óssea. Após essas medidas e uma avaliação completa do risco de fratura (utilizando ferramentas como o FRAX), pode-se considerar a introdução de terapia farmacológica específica para osteoporose, como os bifosfonados, se o risco de fratura for elevado.
O diagnóstico de osteoporose é feito quando o T-score na densitometria óssea é igual ou inferior a -2,5 desvios padrão em qualquer um dos sítios avaliados (coluna lombar, colo do fêmur ou fêmur total). Valores entre -1,0 e -2,5 indicam osteopenia.
O cálcio é o principal componente da matriz óssea, e a vitamina D é essencial para sua absorção intestinal e mineralização óssea. A suplementação é fundamental para otimizar a saúde óssea, prevenir fraturas e potencializar a eficácia de outras terapias farmacológicas para osteoporose.
Os principais fatores de risco modificáveis incluem tabagismo, consumo excessivo de álcool, baixa ingestão de cálcio e vitamina D, sedentarismo, uso crônico de certos medicamentos (ex: glicocorticoides) e baixo peso corporal.
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