UNIFESO/HCTCO - Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (RJ) — Prova 2020
Paciente de 16 anos deu entrada no Pronto Atendimento, após queda de bicicleta em competição de ciclismo, em área rural, referindo dor de cabeça e na região cervical posterior. A equipe que o transportou até o setor relata a ocorrência de 2 episódios de vômitos e perda da consciência por período curto, além de mencionar fratura exposta no membro inferior direito, onde há lesão de aproximadamente 10 cm com perda de tecido. Na amissão, o menor apresentava-se desperto, lúcido e com escala de coma de Glasgow (ECG) de 13 pontos (abertura ocular espontânea, orientado e retirado do membro a dor) com resposta pupilar (RP) = 0 (pupilas isocóricas e fotorreagentes), além de paresia dos MMSS e MMII. Os sinais vitais revelavam: PA = 90 x 40 mmHg; FC = 50 bpm; FR = 25 irpm; e T.ax. = 35ºC. Após 2 horas de observação, evoluiu com crises convulsivas, midríase bilateral e ECG = 3 pontos, com RP = -2. Entre os dados fornecidos acima, para o fechamento do diagnóstico de morte encefálica são necessários outros dados clínicos e laboratoriais, EXCETO:
Diagnóstico ME → ausência reflexo bulbocavernoso NÃO é critério obrigatório.
O reflexo bulbocavernoso é um reflexo medular e sua ausência não é um critério obrigatório para o diagnóstico de morte encefálica, que se baseia na cessação irreversível das funções do tronco cerebral e do córtex.
O diagnóstico de morte encefálica (ME) é um processo rigoroso que exige a comprovação da ausência irreversível de todas as funções do encéfalo, incluindo o tronco cerebral. Os critérios são estabelecidos por legislação e diretrizes clínicas para garantir a precisão e a ética do processo. Os dados clínicos essenciais incluem a ausência de esforço ventilatório espontâneo no teste da apneia, que confirma a falha do centro respiratório no tronco cerebral, e a ausência de reflexos de tronco cerebral, como o óculo-cefálico, o óculo-vestibular, o corneano, o de tosse e o de vômito. Exames complementares, como o eletroencefalograma (para ausência de atividade elétrica cerebral) e exames de imagem que demonstrem ausência de fluxo sanguíneo cerebral, são frequentemente utilizados para corroborar o diagnóstico, especialmente em situações específicas. É crucial diferenciar os reflexos de tronco cerebral dos reflexos medulares. O reflexo bulbocavernoso, por exemplo, é um reflexo medular e sua presença ou ausência não é um critério para o diagnóstico de morte encefálica, pois a medula espinhal pode manter alguma função mesmo após a cessação da atividade encefálica.
Na morte encefálica, são avaliados reflexos como o pupilar (fotomotor), corneano, óculo-cefálico (olhos de boneca), óculo-vestibular (prova calórica), de tosse e de vômito. A ausência de todos esses reflexos é um critério fundamental.
O teste de apneia avalia a ausência de esforço ventilatório espontâneo, confirmando a falha irreversível do centro respiratório localizado no tronco cerebral. É um dos pilares para o diagnóstico de morte encefálica.
O reflexo bulbocavernoso é um reflexo medular, e a medula espinhal pode manter alguma função mesmo após a cessação irreversível da atividade encefálica. O diagnóstico de morte encefálica foca exclusivamente na ausência de função cerebral e de tronco cerebral.
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