Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico Clínico em Crianças

SMS Goiânia - Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (GO) — Prova 2020

Enunciado

Vicente 4 anos é trazido por sua mãe a consulta por apresentar febre maior que 39ºC há 2 semanas. Ao exame físico apresenta exsudato amigdaliano com petéquias em palato, adenomegalia cervical anterior e posterior, edema palpebral bilateral, fígado palpável a 4 cm do rebordo costal direito e baço a 3 cm do rebordo costal esquerdo. Qual sua hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Faringite diftérica.
  2. B) Mononucleose infecciosa.
  3. C) Leucemia linfoblástica aguda.
  4. D) Amigdalite estreptocócica.

Pérola Clínica

Mononucleose infecciosa: febre prolongada, adenomegalia generalizada, hepatoesplenomegalia, exsudato amigdaliano e edema palpebral.

Resumo-Chave

A mononucleose infecciosa, causada pelo EBV, apresenta um quadro clínico característico em crianças, incluindo febre prolongada, linfadenopatia cervical anterior e posterior, hepatoesplenomegalia e sinais orofaríngeos como exsudato e petéquias no palato, além do edema palpebral bilateral, que é um achado menos comum, mas sugestivo.

Contexto Educacional

A mononucleose infecciosa é uma doença viral aguda, geralmente benigna e autolimitada, causada predominantemente pelo Vírus Epstein-Barr (EBV). É comum em crianças e adolescentes, embora possa afetar qualquer idade. A epidemiologia mostra que a maioria dos adultos já foi exposta ao EBV. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico correto para evitar tratamentos desnecessários (como antibióticos) e para orientar o manejo de complicações, como a ruptura esplênica, que, embora rara, é grave. A fisiopatologia envolve a infecção de linfócitos B pelo EBV, levando a uma resposta imune exuberante com proliferação de linfócitos T atípicos. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na tríade clássica de febre, faringite e linfadenopatia. Achados como exsudato amigdaliano com petéquias no palato, edema palpebral bilateral e hepatoesplenomegalia reforçam a suspeita. Exames laboratoriais podem mostrar linfocitose com linfócitos atípicos e testes sorológicos (anticorpos heterófilos ou específicos para EBV) confirmam a infecção. O tratamento da mononucleose infecciosa é de suporte, incluindo repouso, hidratação e analgésicos/antipiréticos. Corticosteroides podem ser considerados em casos de obstrução das vias aéreas ou anemia hemolítica grave. É crucial orientar o paciente a evitar atividades físicas intensas e esportes de contato por várias semanas devido ao risco de ruptura esplênica. O prognóstico é geralmente excelente, com recuperação completa, embora a fadiga possa persistir por um tempo prolongado em alguns indivíduos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da mononucleose infecciosa em crianças?

Os principais sintomas incluem febre prolongada, dor de garganta com exsudato amigdaliano e petéquias no palato, linfadenopatia cervical (anterior e posterior), fadiga intensa, e frequentemente hepatoesplenomegalia. Edema palpebral bilateral também pode ser observado.

Qual é o agente etiológico mais comum da mononucleose infecciosa?

O agente etiológico mais comum da mononucleose infecciosa é o Vírus Epstein-Barr (EBV), um herpesvírus. A transmissão ocorre principalmente através da saliva, o que lhe confere o apelido de 'doença do beijo'.

Como diferenciar mononucleose infecciosa de uma amigdalite estreptocócica?

Embora ambas possam causar dor de garganta e exsudato, a mononucleose geralmente apresenta febre mais prolongada, linfadenopatia mais generalizada (incluindo cadeias posteriores), hepatoesplenomegalia e, por vezes, edema palpebral. A amigdalite estreptocócica raramente causa hepatoesplenomegalia e tem um curso mais agudo. Testes laboratoriais, como anticorpos heterófilos, podem confirmar a mononucleose.

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