Meningite Pediátrica: Interpretação do Líquor e Conduta

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019

Enunciado

Paciente de 11 anos chega ao PA com febre, vômitos e cefaleia e rigidez de nuca. Após suspeitar de meningite, você colhe o líquor que vem com o seguinte resultado: Líquor; Cor: límpido; Celularidade: 125 células; Diferencial: Linfócitos 25% Neutrófilos: 75%; Glicose: 90 mg/dl; Proteínas: 67; Glicemia plasmática 180mg/ld. A recomendada segundo o Tratado de Pediatria é

Alternativas

  1. A) internação, sintomáticos, ampicilina. 
  2. B) internação, sintomáticos, ampicilina e gentamicina, isolamento.
  3. C) internação, sintomáticos, aciclovir, ceftriaxona, soro de manutenção. 
  4. D) internação, sintomáticos, soro de manutenção. 
  5. E) internação, sintomáticos, aciclovir, isolamento, soro de manutenção. 

Pérola Clínica

Líquor com pleocitose mista (neutrófilos > linfócitos) e glicose normal/alta → suspeita de meningite bacteriana parcialmente tratada ou viral atípica; considerar cobertura empírica.

Resumo-Chave

O perfil do líquor com celularidade elevada e predomínio de neutrófilos, mesmo com glicose normal, em um contexto clínico de meningite, sugere uma etiologia bacteriana, especialmente se houver tratamento prévio ou apresentação atípica. A ampicilina é uma opção para cobertura empírica em certas faixas etárias e contextos.

Contexto Educacional

A meningite é uma inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, sendo uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento rápidos. Em pediatria, a etiologia pode ser viral ou bacteriana, com implicações prognósticas e terapêuticas distintas. A análise do líquor cefalorraquidiano (LCR) é fundamental para diferenciar essas etiologias. Um líquor com pleocitose (aumento do número de células), predomínio de neutrófilos e glicose normal ou levemente alterada, como no caso, pode ser desafiador. Embora a hipoglicorraquia seja clássica da meningite bacteriana, a glicose normal pode ocorrer em fases iniciais, em meningites parcialmente tratadas ou em infecções por certos patógenos. O predomínio de neutrófilos, mesmo com glicose normal, ainda aponta fortemente para uma etiologia bacteriana, exigindo tratamento empírico. Em crianças, a cobertura empírica para meningite bacteriana deve considerar os patógenos mais comuns para a faixa etária. A ampicilina é frequentemente incluída para cobrir Listeria monocytogenes, especialmente em neonatos e lactentes, e pode ser combinada com uma cefalosporina de terceira geração (como ceftriaxona) para cobrir Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis. A internação e o suporte sintomático são sempre mandatórios.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados do líquor na meningite bacteriana e viral?

Na meningite bacteriana, o líquor tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia. Na viral, há pleocitose com predomínio de linfócitos, glicose normal e proteínas normais ou levemente elevadas.

Qual a importância do diferencial celular no líquor para o diagnóstico de meningite?

O diferencial celular é crucial para distinguir entre meningite bacteriana (predomínio de neutrófilos) e viral (predomínio de linfócitos), embora em fases iniciais ou em meningites parcialmente tratadas, possa haver um padrão misto ou atípico.

Quando considerar o uso de ampicilina no tratamento empírico da meningite?

A ampicilina é frequentemente utilizada no tratamento empírico da meningite em neonatos e lactentes jovens para cobrir Listeria monocytogenes, ou em combinação com cefalosporinas de terceira geração para outras bactérias comuns, dependendo da idade e epidemiologia local.

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