Meningite: Abordagem Diagnóstica e Análise do LCR

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente com 24 anos, estudante de medicina, procura atendimento no ambulatório de uma universidade com história de febre não aferida e mal-estar generalizado iniciados há cerca de 48 horas. Conta que hoje começou a apresentar cefaleia intensa, motivo de sua procura por assistência. Informa ter tido varicela e rubéola quando criança. Refere ter sido vacinada na infância e que, quando entrou na faculdade, tomou uma dose de dT e da vacina para hepatite B, mas não completou o esquema. Nega vacinação em campanhas, pois teve rubéola na infância. Ao exame físico, apresenta frequência respiratória de 24 incursões respiratórias por minuto, frequência cardíaca de 100 batimentos por minuto, pressão arterial de 120 × 80 mmHg, temperatura axilar de 38,8 °C; mucosas normocoradas, hipohidratadas (+1/+4), escleróticas anictéricas; aparelho respiratório: murmúrio vesicular universalmente audível, ausência de ruídos adventícios; aparelho cardiovascular: ritmo cardíaco regular em dois tempos, bulhas normofonéticas, sem sopros ou atritos; abdome: flácido, peristáltico, sem visceromegalias. No exame neurológico está acordada, lúcida, movimenta os quatro membros, sem déficit focal aparente, com rigidez de nuca (+3/+4), sinal de Kernig e sinal de Brudzinski presentes. Não foram observadas lesões cutâneas ou mucosas. Na fundoscopia ocular: nervos óticos bem visualizados, sem alterações.Com relação à abordagem diagnóstica, assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A) A coleta de líquido cefalorraquidiano deverá ser realizada através de punção suboccipital, pois há contraindicação para realização de punção na região lombar.
  2. B) O exame microscópico do líquido cefalorraquidiano, utilizando-se a coloração de Gram, que evidencie bastonetes Gram negativos, confirma o diagnóstico de meningite pneumocócica.
  3. C) A punção liquórica com exame da bioquímica do líquido cefalorraquidiano deverá ser realizada, pois permitirá a distinção entre infecção bacteriana e viral, o que orientará a conduta terapêutica.
  4. D) A paciente deverá ser submetida a um exame de imagem antes da realização da coleta de líquido cefalorraquidiano para exame diagnóstico, pois há contraindicação para realização de punção lombar.

Pérola Clínica

Suspeita de meningite com sinais meníngeos → Punção lombar para análise do LCR é essencial para diferenciar etiologia e guiar tratamento.

Resumo-Chave

Em pacientes com suspeita de meningite e sinais meníngeos, a punção lombar para análise do LCR é crucial. A bioquímica do LCR (glicose, proteínas, celularidade) permite diferenciar entre meningite bacteriana e viral, orientando a terapia antimicrobiana ou antiviral.

Contexto Educacional

A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, sendo uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento rápidos. A etiologia pode ser bacteriana, viral, fúngica ou parasitária, com as formas bacterianas sendo as mais graves e potencialmente fatais. A suspeita clínica baseia-se em sintomas como febre, cefaleia intensa, rigidez de nuca e sinais meníngeos. A abordagem diagnóstica central para a meningite é a punção lombar (PL) para análise do líquido cefalorraquidiano (LCR). A análise do LCR, incluindo bioquímica (glicose, proteínas), celularidade (contagem e diferencial), coloração de Gram e culturas, é fundamental para diferenciar entre etiologias bacterianas e virais, o que direciona a terapia. A glicose baixa, proteínas elevadas e predomínio de neutrófilos no LCR sugerem meningite bacteriana, enquanto glicose normal, proteínas discretamente elevadas e predomínio linfocitário sugerem etiologia viral. É importante ressaltar que a realização de um exame de imagem (tomografia de crânio) antes da PL não é rotina e só é indicada em casos específicos, como presença de papiledema, déficit neurológico focal, convulsões de início recente ou alteração grave do nível de consciência, para excluir lesões expansivas ou risco de herniação. O tratamento empírico com antibióticos deve ser iniciado imediatamente após a coleta do LCR, sem aguardar os resultados, se houver alta suspeita de meningite bacteriana.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de meningite?

Os principais sinais e sintomas incluem febre, cefaleia intensa, rigidez de nuca, fotofobia, náuseas, vômitos e alteração do nível de consciência. Sinais de Kernig e Brudzinski podem estar presentes.

Quando um exame de imagem (TC de crânio) é indicado antes da punção lombar?

Um exame de imagem é indicado antes da punção lombar em pacientes com sinais de hipertensão intracraniana (papiledema, bradicardia, hipertensão), déficit neurológico focal, convulsões de início recente ou alteração grave do nível de consciência.

Como a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) diferencia meningite bacteriana de viral?

Na meningite bacteriana, o LCR tipicamente mostra glicose baixa, proteínas elevadas e pleocitose com predomínio de neutrófilos. Na viral, a glicose é normal, proteínas discretamente elevadas e pleocitose com predomínio de linfócitos.

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