CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020
Homem, 51 anos, pescador, natural e procedente de Autazes (AM), diabético, há 7 meses com úlcera com bordas enduradas na perna esquerda. O exame direto para Leishmania foi negativo. Baseado no caso clínico, a alternativa CORRETA é:
Exame direto negativo para Leishmania NÃO exclui LTA, especialmente em lesões crônicas; outros métodos diagnósticos são necessários.
O exame parasitológico direto para Leishmania possui sensibilidade variável, especialmente em lesões crônicas ou com poucos parasitas. Um resultado negativo não é suficiente para descartar o diagnóstico de Leishmaniose Tegumentar Americana, sendo necessário considerar outros métodos como biópsia, cultura ou PCR.
A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) é uma doença parasitária endêmica em diversas regiões do Brasil, incluindo a Amazônia, onde o paciente do caso reside. Caracteriza-se por lesões cutâneas que podem variar de pápulas a úlceras crônicas, com bordas elevadas e fundo granuloso, como a descrita. O diagnóstico é crucial para o tratamento adequado e prevenção de complicações. O diagnóstico da LTA pode ser desafiador. Embora o exame parasitológico direto seja um método rápido, sua sensibilidade é variável, especialmente em lesões antigas ou com baixa carga parasitária. Um resultado negativo, portanto, não exclui a doença, exigindo a utilização de outros métodos diagnósticos. Outras abordagens incluem a biópsia da lesão para histopatologia (pesquisa de amastigotas e padrão inflamatório granulomatoso), cultura em meio específico, e técnicas moleculares como o PCR, que possuem maior sensibilidade. O teste de Montenegro, que avalia a resposta imune celular, indica contato com o parasita, mas não diferencia infecção ativa de passada.
Os principais métodos incluem exame parasitológico direto (esfregaço, raspado), cultura, biópsia da lesão com histopatologia e pesquisa de amastigotas, PCR e, em alguns casos, o teste de Montenegro para avaliar a resposta imune celular.
O exame direto pode ser negativo em lesões crônicas, lesões com pouca carga parasitária, lesões ulceradas secundariamente infectadas ou quando a coleta da amostra não foi adequada, não atingindo a borda ativa da lesão.
O teste de Montenegro (intradermorreação de Montenegro) avalia a hipersensibilidade tardia ao antígeno de Leishmania. Um resultado positivo indica contato prévio ou infecção atual, mas não diferencia doença ativa de infecção passada e pode ser negativo em imunossuprimidos.
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