Leishmaniose Tegumentar: Desafios no Diagnóstico Direto

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020

Enunciado

Homem, 51 anos, pescador, natural e procedente de Autazes (AM), diabético, há 7 meses com úlcera com bordas enduradas na perna esquerda. O exame direto para Leishmania foi negativo. Baseado no caso clínico, a alternativa CORRETA é:

Alternativas

  1. A) Na leishmaniose tegumentar americana causada por L. guyanensis, o tratamento de escolha é o antimoniato de meglumina.
  2. B) Teste de Montenegro positivo (enduração local de 5 mm confirma diagnóstico de leishmaniose tegumentar americana.
  3. C) A biópsia da lesão mostrará áreas de necrose e inúmeros bacilos álcool-ácido resistentes.
  4. D) O exame direto negativo não exclui o diagnóstico de leishmaniose tegumentar americana.

Pérola Clínica

Exame direto negativo para Leishmania NÃO exclui LTA, especialmente em lesões crônicas; outros métodos diagnósticos são necessários.

Resumo-Chave

O exame parasitológico direto para Leishmania possui sensibilidade variável, especialmente em lesões crônicas ou com poucos parasitas. Um resultado negativo não é suficiente para descartar o diagnóstico de Leishmaniose Tegumentar Americana, sendo necessário considerar outros métodos como biópsia, cultura ou PCR.

Contexto Educacional

A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) é uma doença parasitária endêmica em diversas regiões do Brasil, incluindo a Amazônia, onde o paciente do caso reside. Caracteriza-se por lesões cutâneas que podem variar de pápulas a úlceras crônicas, com bordas elevadas e fundo granuloso, como a descrita. O diagnóstico é crucial para o tratamento adequado e prevenção de complicações. O diagnóstico da LTA pode ser desafiador. Embora o exame parasitológico direto seja um método rápido, sua sensibilidade é variável, especialmente em lesões antigas ou com baixa carga parasitária. Um resultado negativo, portanto, não exclui a doença, exigindo a utilização de outros métodos diagnósticos. Outras abordagens incluem a biópsia da lesão para histopatologia (pesquisa de amastigotas e padrão inflamatório granulomatoso), cultura em meio específico, e técnicas moleculares como o PCR, que possuem maior sensibilidade. O teste de Montenegro, que avalia a resposta imune celular, indica contato com o parasita, mas não diferencia infecção ativa de passada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais métodos diagnósticos para Leishmaniose Tegumentar Americana?

Os principais métodos incluem exame parasitológico direto (esfregaço, raspado), cultura, biópsia da lesão com histopatologia e pesquisa de amastigotas, PCR e, em alguns casos, o teste de Montenegro para avaliar a resposta imune celular.

Em que situações o exame direto para Leishmania pode ser negativo?

O exame direto pode ser negativo em lesões crônicas, lesões com pouca carga parasitária, lesões ulceradas secundariamente infectadas ou quando a coleta da amostra não foi adequada, não atingindo a borda ativa da lesão.

Qual o papel do teste de Montenegro no diagnóstico de LTA?

O teste de Montenegro (intradermorreação de Montenegro) avalia a hipersensibilidade tardia ao antígeno de Leishmania. Um resultado positivo indica contato prévio ou infecção atual, mas não diferencia doença ativa de infecção passada e pode ser negativo em imunossuprimidos.

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