Meningite Tuberculosa: Interpretação do Líquor e Diagnóstico

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

O exame do líquor de um paciente do sexo masculino com 30 anos de idade e com diagnóstico de meningite apresenta os seguintes resultados:Número de células: elevadoLinfócitos: acima de 50%Neutrófilos: menor do que 30%Proteínas totais: elevadasGlicose: 20 mg/dLLactato: 25 mg/dLNesse caso clínico, o mais provável é que se trate de

Alternativas

  1. A) meningite asséptica.
  2. B) meningite tuberculosa.
  3. C) meningite bacteriana.
  4. D) meningite viral.

Pérola Clínica

Líquor: Linfocitose + Glicose ↓↓ + Proteínas ↑↑ + Lactato ↑ (moderado) → Meningite Tuberculosa.

Resumo-Chave

A meningite tuberculosa é caracterizada por um padrão liquórico específico: pleocitose com predomínio linfocitário, hipoglicorraquia acentuada, hiperproteinorraquia e lactato elevado. Este perfil, especialmente a hipoglicorraquia grave e o lactato elevado, a diferencia de meningites virais (glicose normal, lactato normal/levemente elevado) e bacterianas agudas (neutrofilia, hipoglicorraquia, lactato muito elevado).

Contexto Educacional

A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é fundamental para o diagnóstico e diferenciação dos diversos tipos de meningite. A interpretação dos parâmetros como celularidade, tipo celular predominante, níveis de glicose, proteínas e lactato permite guiar a conduta terapêutica inicial, que é frequentemente empírica e tempo-dependente. A meningite tuberculosa, uma forma grave de tuberculose extrapulmonar, apresenta um padrão liquórico característico. Geralmente, observa-se uma pleocitose com predomínio linfocitário (embora neutrofilia possa ser vista nas fases iniciais), hipoglicorraquia acentuada (glicose < 40 mg/dL ou < 40% da glicemia), hiperproteinorraquia significativa (proteínas > 100 mg/dL) e lactato elevado. Este perfil é crucial para diferenciá-la de meningites virais (que cursam com glicose normal e lactato normal ou levemente elevado) e meningites bacterianas agudas (que tipicamente apresentam neutrofilia e lactato muito elevado). O diagnóstico precoce da meningite tuberculosa é vital, pois o atraso no tratamento pode levar a sequelas neurológicas graves e alta mortalidade. Além da análise do LCR, a cultura para Mycobacterium tuberculosis, pesquisa de BAAR e testes moleculares como o GeneXpert são importantes para a confirmação diagnóstica, embora o tratamento empírico deva ser iniciado com base na forte suspeita clínica e nos achados liquóricos.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos do líquor na meningite bacteriana?

Na meningite bacteriana aguda, o líquor tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de neutrófilos (>80%), hipoglicorraquia acentuada (glicose <40 mg/dL), hiperproteinorraquia significativa (>100 mg/dL) e lactato muito elevado (>35 mg/dL).

Como diferenciar meningite tuberculosa de meningite viral pelo líquor?

Ambas podem ter predomínio linfocitário. No entanto, a meningite tuberculosa cursa com hipoglicorraquia acentuada e hiperproteinorraquia significativa, além de lactato elevado. A meningite viral geralmente apresenta glicose e lactato normais ou levemente alterados, e proteínas menos elevadas.

Qual a importância do lactato no líquor para o diagnóstico de meningite?

O lactato no líquor é um marcador útil para diferenciar meningites bacterianas de virais. Níveis muito elevados de lactato (>35 mg/dL) são fortemente sugestivos de meningite bacteriana, enquanto níveis moderadamente elevados (25-35 mg/dL) podem indicar meningite tuberculosa. Níveis normais ou levemente elevados são comuns em meningites virais.

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