UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022
Paciente de 70 anos, sexo feminino, internada para tratamento de neutropenia febril, passa a apresentar diarreia sem sangue, associada a leucocitose, no 5.º dia de internação hospitalar e de tratamento antibiótico com piperacilinatazobactam. O médico assistente suspeita de diarreia por Clostridioides difficile e solicita exame de fezes para avaliação complementar. O resultado mostra pesquisa de GDH (glutamato desidrogenase) positiva e pesquisa de toxinas A e B negativas. Considerando o contexto clínico apresentado, é correto afirmar:
GDH+ e Toxinas A/B- em alta suspeita clínica → não descarta DACD, considerar tratamento.
Um resultado de GDH positiva e toxinas A/B negativas para Clostridioides difficile não descarta a infecção, especialmente em pacientes com alta suspeita clínica (uso de antibióticos, diarreia, leucocitose). Nesses casos, a conduta deve ser guiada pela clínica, e o tratamento empírico com vancomicina oral é frequentemente indicado.
A diarreia por Clostridioides difficile (DACD) é uma preocupação crescente em ambientes hospitalares, especialmente em pacientes em uso de antibióticos de amplo espectro, como a piperacilina-tazobactam. O diagnóstico laboratorial é fundamental, mas sua interpretação exige cautela. O algoritmo diagnóstico frequentemente envolve um teste de triagem (GDH) e um teste confirmatório (detecção de toxinas A/B ou PCR para genes de toxinas). A GDH (glutamato desidrogenase) é um antígeno produzido pelo C. difficile, sendo um marcador de presença do microrganismo com alta sensibilidade, mas baixa especificidade. Um resultado GDH positivo indica a presença do C. difficile, mas não diferencia cepas toxinogênicas de não-toxinogênicas. A detecção das toxinas A e B nas fezes é o padrão-ouro para confirmar a doença ativa, pois são as toxinas que causam os sintomas. No entanto, os testes de toxinas podem ter sensibilidade limitada. Em um cenário de GDH positiva e toxinas A/B negativas, a interpretação é desafiadora. Se a suspeita clínica for alta (como no caso de diarreia em paciente com neutropenia febril e uso de antibióticos), esse resultado não descarta a DACD. Nesses casos, a conduta clínica deve prevalecer, e o tratamento com vancomicina oral (e suspensão do antibiótico causador, se possível) é frequentemente indicado, especialmente em pacientes com fatores de risco ou gravidade. Residentes devem entender que a clínica e a interpretação conjunta dos testes são essenciais para um manejo adequado.
O teste de GDH (glutamato desidrogenase) é um teste de triagem com alta sensibilidade para a presença de C. difficile, mas baixa especificidade, pois detecta tanto cepas toxinogênicas quanto não-toxinogênicas. Um resultado negativo para GDH geralmente exclui a infecção.
Este resultado é considerado indeterminado. Significa que o organismo está presente (GDH+), mas as toxinas não foram detectadas (Toxinas-). Em um contexto de alta suspeita clínica, não descarta a DACD e pode justificar o tratamento empírico, ou a realização de um teste molecular (PCR) para confirmar a presença do gene da toxina.
A suspensão do antibiótico que precipitou a infecção por C. difficile é crucial porque remove o fator que desequilibrou a microbiota intestinal, permitindo a proliferação do C. difficile. Isso pode, por si só, levar à resolução dos sintomas em casos leves e melhora a resposta ao tratamento específico.
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