UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025
Criança de 2 anos de idade, previamente hígida, apresenta inapetência e dor abdominal há 48 horas. Mãe relata urina fétida. A criança ainda não apresenta controle esficteriano. Exame físico durante atendimento na UPA, sem alterações. Neste caso, o médico deve:
Criança sem controle esfincteriano: saco coletor para triagem (EAS), urocultura apenas de amostra estéril (sondagem/punção).
Em crianças que não controlam a micção, o saco coletor tem um índice de contaminação altíssimo, sendo útil apenas para triagem com exame de urina tipo I (EAS). Se o EAS for sugestivo de infecção, a confirmação diagnóstica exige uma urocultura de amostra obtida por método invasivo e estéril, como cateterismo vesical ou punção suprapúbica.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, mas seu diagnóstico em crianças sem controle esfincteriano representa um desafio significativo. Os sintomas são frequentemente inespecíficos, como febre, irritabilidade, vômitos ou dor abdominal, tornando a análise de urina essencial. O método de coleta da amostra de urina é o ponto mais crítico para um diagnóstico preciso. O uso de saco coletor é prático e não invasivo, mas sua taxa de contaminação é proibitivamente alta para a realização de urocultura, levando a um grande número de resultados falso-positivos. Por isso, as diretrizes atuais recomendam uma abordagem em duas etapas para crianças sem controle dos esfíncteres. Primeiramente, pode-se utilizar o saco coletor para uma amostra de triagem, destinada ao exame de urina tipo I (EAS ou urina rotina). Se o EAS for negativo (sem leucocitúria ou nitrito), a ITU é improvável. Contudo, se o EAS for positivo ou sugestivo de infecção, ele não confirma o diagnóstico. Neste caso, é mandatório obter uma nova amostra por um método estéril – cateterismo vesical de alívio ou, mais raramente, punção suprapúbica – para a realização da urocultura, que irá confirmar ou descartar a ITU e guiar a antibioticoterapia.
Os achados mais sugestivos de ITU no EAS são a presença de leucocitúria (piócitos), nitrito positivo (altamente específico para bactérias gram-negativas) e esterase leucocitária positiva. Um EAS completamente normal torna a ITU muito improvável.
A punção suprapúbica é considerada o padrão-ouro por ser a técnica mais estéril, onde qualquer crescimento bacteriano é considerado significativo. No entanto, na prática clínica, o cateterismo vesical de alívio é mais utilizado por ser menos invasivo e ter excelente acurácia.
O saco coletor adere à pele do períneo, uma área naturalmente colonizada por bactérias da flora cutânea e intestinal. Isso leva a uma taxa de contaminação da amostra de urina extremamente alta, frequentemente superior a 50%, resultando em muitos resultados de urocultura falso-positivos.
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