Insuficiência Adrenal: Diagnóstico Laboratorial e Manejo

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 65 anos, HAS, DM e portador de DAC é internado por suspeita de SCA (angina estável), sendo percebido, nos exames admissionais, hipercalemia, hipotensão e hiponatremia. Ao exame físico não apresentava sinais de edema. Fazia uso de IECA, BRAs e sertralina, suspensos na internação, sem melhora dos achados anteriores. Sobre este caso marque a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Hiponatremia e hipercalemia representam os achados laboratoriais clássicos da insuficiência adrenal. A hiponatremia ocorre em 100% dos casos e a hipercalemia em cerca de dois terços dos pacientes.
  2. B) A dosagem do cortisol deve ser realizada entre 8 e 9 horas da manhã. Caso o valor do cortisol basal seja menor ou igual a 5 mg/dL, o diagnóstico de insuficiência adrenal é confirmado.
  3. C) O cortisol sérico basal maior que 19 mg/dL praticamente confirma o diagnóstico.
  4. D) Todo paciente com insuficiência adrenal deve receber hidrocortisona 100 mg IV inicialmente, seguida de 50 mg IV de 6/6 horas. Nos pacientes hipotensos, deve-se repor soro fisiológico agressivamente.

Pérola Clínica

Suspeita de insuficiência adrenal → Cortisol basal (8-9h) ≤ 5 mcg/dL confirma o diagnóstico.

Resumo-Chave

A insuficiência adrenal deve ser suspeitada em pacientes com hipotensão, hiponatremia e hipercalemia inexplicadas, especialmente se em uso de medicamentos que podem mascarar ou precipitar a condição. O diagnóstico inicial é feito pela dosagem do cortisol sérico basal pela manhã; valores ≤ 5 mcg/dL são confirmatórios e valores > 19 mcg/dL excluem a condição.

Contexto Educacional

A insuficiência adrenal é uma condição potencialmente fatal que pode se manifestar com sintomas inespecíficos, tornando seu diagnóstico um desafio. É fundamental suspeitar em pacientes com hipotensão, hiponatremia e hipercalemia inexplicadas, especialmente na presença de comorbidades como HAS e DM, ou uso de medicamentos que podem interferir no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. A identificação precoce é crucial para evitar uma crise adrenal. O diagnóstico laboratorial da insuficiência adrenal se inicia com a dosagem do cortisol sérico basal, idealmente coletado entre 8 e 9 horas da manhã, quando os níveis são naturalmente mais altos. Um valor de cortisol basal ≤ 5 mcg/dL é considerado confirmatório. Valores > 19 mcg/dL praticamente excluem o diagnóstico. Para valores intermediários, o teste de estímulo com ACTH (Synacthen) é o padrão-ouro para avaliar a reserva adrenal. O tratamento da insuficiência adrenal aguda (crise adrenal) exige a administração imediata de hidrocortisona intravenosa e reposição volêmica agressiva com soro fisiológico. A hidrocortisona possui atividade glicocorticoide e mineralocorticoide. Em casos crônicos, a terapia de reposição hormonal com glicocorticoides (hidrocortisona ou prednisona) e, se necessário, mineralocorticoides (fludrocortisona) é essencial para manter o equilíbrio hidroeletrolítico e a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais clássicos da insuficiência adrenal?

Os achados clássicos incluem hiponatremia e hipercalemia, além de hipotensão. A hiponatremia é muito comum, enquanto a hipercalemia é mais prevalente na insuficiência adrenal primária devido à deficiência de mineralocorticoides.

Como é feito o diagnóstico de insuficiência adrenal com a dosagem de cortisol?

A dosagem do cortisol sérico basal deve ser realizada entre 8 e 9 horas da manhã. Um valor menor ou igual a 5 mcg/dL (ou 138 nmol/L) é altamente sugestivo de insuficiência adrenal, enquanto um valor maior que 19 mcg/dL (ou 525 nmol/L) praticamente a exclui. Valores intermediários requerem teste de estímulo com ACTH.

Qual a conduta inicial em um paciente com suspeita de crise adrenal?

Em caso de suspeita de crise adrenal (hipotensão, choque), a conduta inicial é a administração imediata de hidrocortisona IV (100 mg em bolus, seguida de 50 mg IV a cada 6-8 horas) e reposição agressiva de fluidos com soro fisiológico, mesmo antes da confirmação laboratorial.

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