FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020
Seu Antônio, 60 anos, durante consulta médica na unidade básica de saúde, queixou-se que por volta de um ano apresenta insônia. Referiu ainda o uso de corticoterapia frequente para tratamento de asma. Tem por hábito tomar muito café com pão e relata também que seu quarto é muito quente. Ao ouvir as queixas do seu Antônio o médico prescreveu Alprazolam 2mg para tomar 1 comprimido à noite e agendou nova consulta em três meses. Com base no texto acima marque a alternativa correta:
Insônia crônica → Anamnese detalhada + Higiene do sono > Benzodiazepínicos em idosos.
Antes de prescrever medicamentos para insônia, especialmente em idosos, é fundamental realizar uma anamnese detalhada. Isso permite identificar e abordar fatores contribuintes como uso de medicamentos (corticoides), hábitos de vida (cafeína) e ambiente do sono (quarto quente), que são frequentemente a causa da insônia e devem ser corrigidos como primeira linha de tratamento.
A insônia é uma queixa comum na prática clínica, especialmente em idosos, e pode ter um impacto significativo na qualidade de vida. O diagnóstico e manejo adequados da insônia requerem uma abordagem abrangente que vai além da simples prescrição de medicamentos. É fundamental realizar uma anamnese detalhada para identificar fatores precipitantes, perpetuantes e predisponentes, bem como comorbidades médicas ou psiquiátricas que possam estar contribuindo para o problema. No caso do Seu Antônio, diversos fatores podem estar influenciando sua insônia: o uso de corticoterapia (conhecida por causar insônia), o consumo excessivo de cafeína e um ambiente de sono inadequado (quarto quente). Antes de qualquer intervenção farmacológica, a primeira linha de tratamento para a insônia crônica deve ser a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) e a implementação de medidas de higiene do sono. A TCC-I aborda pensamentos e comportamentos que interferem no sono, enquanto a higiene do sono foca em hábitos e ambiente. A prescrição de benzodiazepínicos como o Alprazolam para insônia crônica, especialmente em idosos, é geralmente desaconselhada devido aos riscos de dependência, tolerância, sedação diurna, quedas e efeitos adversos na cognição. Indutores do sono não benzodiazepínicos (como o Zolpidem) podem ser considerados, mas sempre após a falha das medidas não farmacológicas e com cautela. A abordagem correta enfatiza a identificação e modificação dos fatores contribuintes e a educação do paciente sobre hábitos de sono saudáveis.
Os pilares da higiene do sono incluem manter horários regulares para dormir e acordar, criar um ambiente de sono confortável e escuro, evitar cafeína e álcool antes de dormir, praticar exercícios físicos regularmente (mas não perto da hora de deitar) e evitar cochilos prolongados durante o dia.
A prescrição de Alprazolam (um benzodiazepínico) para insônia crônica em idosos é desaconselhada devido ao risco aumentado de dependência, tolerância, sedação diurna, quedas, comprometimento cognitivo e piora da arquitetura do sono a longo prazo. As diretrizes recomendam evitar ou usar com extrema cautela nessa população.
Na história do paciente, o uso frequente de corticoterapia para asma (corticoides podem causar insônia), o hábito de tomar muito café (cafeína é estimulante) e um ambiente de sono inadequado (quarto muito quente) são fatores importantes que podem estar contribuindo diretamente para a insônia e devem ser abordados.
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