Clostridioides difficile: Diagnóstico da Diarreia Pós-Antibiótico

Santa Casa de Rondonópolis (MT) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 54 anos estava em uso de clavulanato de amoxicilina para tratamento de sinusite. Houve melhora inicial, mas sete dias após o início do tratamento, ele voltou a apresentar febre associada a diarréia, com cerca de sete dejeções diárias. Dentre as opções abaixo, assinale o exame laboratorial MAIS ADEQUADO para confirmar o diagnóstico mais provável do quadro de febre e diarréia:

Alternativas

  1. A) Identificação de toxina de Clostridium difficile nas fezes
  2. B) Isolamento de C. difficile em coprocultura empregando-se meio de cultura específico
  3. C) Pesquisa de leucócitos fecais
  4. D) Pesquisa de IgG e IgM anti-C. difficile no soro

Pérola Clínica

Diarreia + febre pós-ATB → Suspeitar de Clostridioides difficile. Diagnóstico = pesquisa de toxina nas fezes.

Resumo-Chave

A diarreia associada a antibióticos, especialmente com febre, deve levantar forte suspeita de infecção por Clostridioides difficile (CDI). O diagnóstico definitivo é feito pela detecção das toxinas A e/ou B de C. difficile nas fezes, e não pela cultura do microrganismo ou sorologia.

Contexto Educacional

A infecção por Clostridioides difficile (CDI), anteriormente conhecida como Clostridium difficile, é a causa mais comum de diarreia infecciosa associada a cuidados de saúde e a principal causa de colite pseudomembranosa. Ela ocorre predominantemente em pacientes que receberam antibioticoterapia recente, pois os antibióticos alteram a microbiota intestinal normal, permitindo a proliferação de C. difficile e a produção de suas toxinas (A e B). Os sintomas variam de diarreia leve a grave, com febre, dor abdominal e, em casos mais graves, megacólon tóxico e perfuração intestinal. O diagnóstico da CDI é crucial e baseia-se na suspeita clínica em pacientes com diarreia e histórico de uso de antibióticos ou hospitalização. O exame laboratorial mais adequado para confirmar o diagnóstico é a identificação das toxinas A e/ou B de C. difficile nas fezes, geralmente por ensaios imunoenzimáticos (EIA) ou testes moleculares (PCR para o gene da toxina). A cultura de C. difficile por si só não é suficiente para o diagnóstico de doença ativa, pois a bactéria pode ser isolada em portadores assintomáticos. O tratamento da CDI envolve a suspensão do antibiótico causador, se possível, e o início de terapia específica com vancomicina oral ou fidaxomicina. Em casos de infecção grave ou fulminante, a vancomicina oral pode ser combinada com metronidazol intravenoso. A prevenção é fundamental e inclui o uso racional de antibióticos, higiene das mãos rigorosa e isolamento de contato para pacientes infectados. A recorrência é um desafio comum, e opções como transplante de microbiota fecal podem ser consideradas em casos refratários.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para a infecção por Clostridioides difficile (CDI)?

Os principais fatores de risco incluem uso recente de antibióticos (especialmente de amplo espectro), idade avançada, hospitalização prolongada, uso de inibidores de bomba de prótons e comorbidades graves.

Por que a pesquisa de toxinas é o exame mais adequado para CDI?

A pesquisa de toxinas A e B de Clostridioides difficile nas fezes é o exame mais adequado porque são as toxinas que causam a doença. A simples presença da bactéria na cultura não significa doença ativa, pois muitos indivíduos podem ser portadores assintomáticos.

Quais antibióticos estão mais associados ao desenvolvimento de CDI?

Antibióticos de amplo espectro são os mais associados, incluindo clindamicina, fluoroquinolonas (ciprofloxacina, levofloxacina) e cefalosporinas de terceira geração. A amoxicilina-clavulanato também pode causar CDI.

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