USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Lactente com 1 ano e 8 meses de vida está em consulta de rotina em UBS, após ter mudado de cidade. Mãe relata que possui a infecção pelo vírus HIV, tendo descoberto no dia do parto da criança. Recebeu as medicações durante o parto e a criança tomou as medicações de prevenção da infecção, além de ter seguido todas as orientações dadas, tendo recebido medicação para bloquear o aleitamento. Realizou o acompanhamento médico da criança, mas acabou perdendo a última consulta. Possuía o resultado dos exames realizados pela criança: Exame 1: Quantificação da carga viral do HIV (idade: 1d) não detectávelExame 2: Quantificação da carga viral do HIV (idade: 1m15d): não detectávelExame 3: Quantificação da carga viral do HIV (idade: 3m15d) não detectávelVocê resolve solicitar um ELISA para HIV, último exame a ser feito pelo bebê exposto, tendo em vista que a criança já possui mais de 18 meses de vida e estava bem. O resultado deste exame é o seguinte:Elisa para Anti-HIV:Cut-off: 1,00Título: 5,00Resultado: REAGENTEConsiderando as informações acima, qual a conduta adequada nesta situação?
Criança > 18m com ELISA anti-HIV reagente e cargas virais negativas → repetir sorologia para falso positivo.
Em crianças expostas ao HIV com mais de 18 meses, o ELISA anti-HIV é o exame confirmatório. No entanto, um resultado reagente isolado, especialmente após cargas virais negativas prévias, exige repetição da sorologia para descartar falso-positivos antes de firmar o diagnóstico de infecção.
A infecção pelo HIV em crianças, especialmente por transmissão vertical, é um tema crucial na pediatria e saúde pública. O diagnóstico precoce e preciso é fundamental para iniciar o tratamento antirretroviral e melhorar o prognóstico. O acompanhamento de crianças expostas ao HIV segue um protocolo rigoroso que inclui profilaxia, exames virológicos e sorológicos em momentos específicos. O algoritmo diagnóstico para crianças expostas ao HIV varia conforme a idade. Nos primeiros 18 meses de vida, a presença de anticorpos maternos transferidos passivamente impede o uso do ELISA anti-HIV para diagnóstico, sendo necessários exames virológicos (carga viral ou DNA pró-viral). Após os 18 meses, com a eliminação dos anticorpos maternos, o ELISA anti-HIV torna-se um teste diagnóstico válido. No caso de um ELISA anti-HIV reagente em uma criança com mais de 18 meses, especialmente se houver histórico de cargas virais negativas, é imperativo repetir o exame sorológico após um mês para confirmar o resultado e descartar um possível falso-positivo. Somente após a confirmação sorológica, ou com exames virológicos positivos, a infecção pelo HIV é firmemente diagnosticada, permitindo o início do tratamento e o seguimento especializado.
Antes dos 18 meses, a detecção de anticorpos maternos pode levar a falso-positivos no ELISA. Por isso, são usados exames virológicos (carga viral, DNA pró-viral). Após 18 meses, o ELISA é confirmatório, pois os anticorpos maternos já desapareceram.
Um falso-positivo deve ser considerado quando há resultados de carga viral do HIV consistentemente não detectáveis e a criança não apresenta sinais clínicos de infecção, especialmente se o ELISA é o primeiro teste de anticorpos realizado após os 18 meses.
A conduta inicial é repetir a sorologia (ELISA) após um mês. Se persistir reagente, deve-se considerar testes confirmatórios como Western Blot ou nova carga viral para confirmar a infecção.
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