Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022
Homem, 72 anos, refere emagrecimento de 8 kg nos últimos 2 meses. Associado à perda ponderal, relata cansaço de início recente, com fraqueza para subir escadas e pentear o cabelo. Há 2 semanas, passou a apresentar aumento da frequência das evacuações, cefaleia e palpitações. É diabético, em uso de insulina e metformina, e tabagista. Exame físico: PA = 160 x 90 mmHg, FC = 102 bpm, FR = 21irpm, T = 37,2 °C, SpO2 = 96%. No exame neurológico, apresenta hiperreflexia global e fraqueza muscular proximal em membros superiores e inferiores grau IV. O eletrocardiograma é compatível com fibrilação atrial. Assinale a alternativa que contém a conduta correta.
Idoso com emagrecimento, fraqueza proximal, palpitações, FA e hiperreflexia → suspeitar hipertireoidismo.
O quadro clínico do paciente (idoso, emagrecimento, fraqueza muscular proximal, palpitações, taquicardia, hipertensão, hiperreflexia, fibrilação atrial) é altamente sugestivo de hipertireoidismo. A conduta inicial correta envolve a investigação laboratorial da função tireoidiana (TSH e T4 livre) e o tratamento sintomático da taquicardia e da fibrilação atrial com betabloqueador (metoprolol) e anticoagulação (apixabana), respectivamente.
O hipertireoidismo é uma condição endócrina caracterizada pela produção excessiva de hormônios tireoidianos, com prevalência que aumenta com a idade. Em idosos, a apresentação clínica pode ser atípica, muitas vezes mascarada por outras comorbidades, o que dificulta o diagnóstico. A identificação precoce é crucial devido ao risco de complicações cardiovasculares, como fibrilação atrial e insuficiência cardíaca, e osteomusculares, como osteoporose e miopatia. A fisiopatologia da tireotoxicose envolve o aumento do metabolismo basal e a exacerbação da sensibilidade aos estímulos adrenérgicos. No caso apresentado, o emagrecimento, cansaço, fraqueza muscular proximal, palpitações, taquicardia, hipertensão e hiperreflexia são sinais clássicos de hiperfunção tireoidiana. A fibrilação atrial é uma complicação cardíaca comum e grave do hipertireoidismo, exigindo manejo imediato. O diagnóstico é confirmado pela dosagem de TSH (geralmente suprimido) e T4 livre (elevado). A conduta terapêutica inicial no hipertireoidismo visa controlar os sintomas e prevenir complicações. O uso de betabloqueadores, como o metoprolol, é fundamental para controlar a frequência cardíaca e reduzir as palpitações. A anticoagulação, com apixabana, é indicada para pacientes com fibrilação atrial para prevenir eventos tromboembólicos. O tratamento definitivo da tireotoxicose pode envolver drogas antitireoidianas, iodo radioativo ou cirurgia, dependendo da etiologia e das características do paciente.
Em idosos, o hipertireoidismo pode se apresentar de forma atípica, conhecido como hipertireoidismo apático, com sintomas como apatia, depressão, fraqueza muscular, perda de peso e fibrilação atrial, em vez dos sintomas clássicos de hiperatividade. A hiperreflexia, no entanto, é um sinal importante.
A tireotoxicose aumenta a sensibilidade do miocárdio às catecolaminas e altera a condução elétrica, predispondo à fibrilação atrial. O tratamento envolve o controle da frequência cardíaca com betabloqueadores (como metoprolol) e anticoagulação (como apixabana) para prevenir eventos tromboembólicos, além do tratamento da disfunção tireoidiana subjacente.
A fraqueza muscular proximal, ou miopatia tireotóxica, é uma manifestação comum do hipertireoidismo, resultando da disfunção metabólica nas fibras musculares. É um sintoma chave que, combinado com outros achados, deve levantar a suspeita de tireotoxicose.
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