Hipertensão Arterial Estágio 2: Diagnóstico e Tratamento

ENARE/ENAMED — Prova 2021

Enunciado

Paciente, masculino, 63 anos, obeso e sedentário, vai à consulta de avaliação de rotina pelo programa saúde da família. Durante a anamnese, o paciente se queixa de edema de membros inferiores, poliúria e crises de dor em hálux e tornozelos, com diagnóstico de artrite gotosa. Nega outras doenças ou uso de medicação contínua. Ao exame físico, apresenta-se corado, hidratado, com PA:190/110, FC:88, FR:16, SO2:98% em ar ambiente, com ausculta pulmonar sem alterações, hiperfonese de B2 em foco aórtico e edema de membros inferiores ++/4+. Referente a esse caso, qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Orientar sobre cuidados e hábitos de vida, diagnosticar hipertensão arterial sistêmica e iniciar diurético tiazídico.
  2. B) Diagnosticar síndrome metabólica e iniciar hipoglicemiante biguanida.
  3. C) Orientar sobre cuidados e hábitos de vida e solicitar monitorização ambulatorial da pressão arterial sistêmica.
  4. D) Orientar sobre cuidados e hábitos de vida, diagnosticar hipertensão arterial sistêmica e iniciar inibidor de enzima conversora de angiotensina.
  5. E) Orientar sobre cuidados e hábitos de vida e orientar retorno em 3 meses para reavaliação.

Pérola Clínica

HAS estágio 2 (PA ≥160/100) → iniciar tratamento farmacológico + mudança de estilo de vida.

Resumo-Chave

Um paciente com PA 190/110 mmHg, mesmo assintomático para lesão de órgão-alvo aguda, já configura hipertensão estágio 2 e necessita de intervenção farmacológica imediata, além das mudanças de estilo de vida. IECA é uma boa opção inicial, especialmente na presença de comorbidades como obesidade e risco cardiovascular.

Contexto Educacional

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma condição crônica multifatorial de alta prevalência, sendo um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais. Sua detecção precoce e manejo adequado são cruciais para a prevenção de complicações graves. A classificação da HAS em estágios baseia-se nos níveis pressóricos, orientando a conduta terapêutica. A fisiopatologia da HAS envolve múltiplos mecanismos, incluindo disfunção endotelial, ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), aumento da atividade simpática e retenção de sódio. O diagnóstico é clínico, baseado em medidas repetidas da pressão arterial. Em pacientes com PA ≥ 160/100 mmHg, o diagnóstico é estabelecido e o tratamento farmacológico deve ser iniciado sem demora, mesmo na ausência de lesão de órgão-alvo aguda. O tratamento da HAS envolve mudanças no estilo de vida (dieta, exercícios, cessação do tabagismo) e terapia farmacológica. Para HAS estágio 2, a terapia combinada é frequentemente necessária. Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) são uma classe de drogas de primeira linha, eficazes na redução da PA e na proteção de órgãos-alvo, sendo bem tolerados e com poucos efeitos adversos significativos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de hipertensão arterial estágio 2?

O diagnóstico de hipertensão arterial estágio 2 é feito quando a pressão arterial sistólica é ≥ 160 mmHg ou a pressão arterial diastólica é ≥ 100 mmHg em duas ou mais medidas em diferentes consultas.

Qual a conduta inicial para um paciente com hipertensão arterial estágio 2?

A conduta inicial inclui orientações sobre mudanças de estilo de vida e início imediato de tratamento farmacológico, geralmente com dois fármacos anti-hipertensivos, como um IECA/BRA e um bloqueador de canal de cálcio ou diurético tiazídico.

Por que o IECA é uma boa opção para iniciar o tratamento da HAS?

Os IECA são eficazes na redução da pressão arterial e oferecem proteção cardiovascular e renal, sendo especialmente indicados em pacientes com diabetes, doença renal crônica ou alto risco cardiovascular.

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