HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2023
Dona Ivone não tem qualquer queixa e vem à consulta para pedir alguns exames de sangue a fim de verificar o seu estado de saúde. Ela tem 48 anos, é costureira autônoma, não faz atividade física regular e parou de fumar na primeira gestação aos 24 anos. É casada, tem dois filhos, vive com sua família nuclear e com sua mãe de 70 anos que é acamada por sequela de acidente vascular encefálico. Miguel, seu médico de família e comunidade, faz um exame físico adequado da paciente e encontra como único achado relevante uma PA = 140 x 100 mmHg (adequadamente aferida). Em seguida, pergunta se era a primeira vez que a pressão estava alta. Dona Ivone conta que já havia medido a PA anteriormente, mas não lembrava os valores e já haviam dito para ela atentar-se com a pressão. Determine a conduta.
PA 140x100 mmHg isolada → confirmar diagnóstico com MRPA/MAPA antes de medicar.
Uma única medida de pressão arterial elevada no consultório não é suficiente para o diagnóstico de hipertensão arterial, especialmente em pacientes assintomáticos. É fundamental confirmar o diagnóstico através de múltiplas medidas em diferentes ocasiões ou, preferencialmente, com métodos de monitorização fora do consultório, como a MRPA ou MAPA, para evitar o tratamento desnecessário da hipertensão do jaleco branco.
O diagnóstico de hipertensão arterial é um dos pilares da atenção primária e da medicina interna. A prevalência da doença é alta, e seu manejo adequado é fundamental para prevenir complicações cardiovasculares graves. No entanto, o diagnóstico não deve ser precipitado, exigindo uma abordagem cuidadosa para evitar o tratamento desnecessário. A aferição da pressão arterial no consultório é o primeiro passo, mas uma única medida elevada, especialmente em pacientes assintomáticos, não é suficiente para iniciar o tratamento medicamentoso. Fenômenos como a "hipertensão do jaleco branco", onde a PA se eleva apenas no ambiente médico, são comuns e podem levar a diagnósticos equivocados e sobretratamento. Para confirmar o diagnóstico, as diretrizes recomendam a realização de múltiplas medidas em diferentes visitas ou, idealmente, a utilização de métodos de monitorização fora do consultório, como a Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) ou a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA). Esses métodos fornecem uma visão mais abrangente do perfil pressórico do paciente em seu ambiente habitual, permitindo um diagnóstico mais preciso e uma conduta terapêutica mais assertiva.
O diagnóstico deve ser confirmado por múltiplas medidas em diferentes visitas, ou preferencialmente, por monitorização fora do consultório, como a Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) ou a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA).
A MRPA e a MAPA são cruciais para identificar a hipertensão do jaleco branco (PA elevada apenas no consultório) e a hipertensão mascarada (PA normal no consultório, mas elevada fora), fornecendo uma avaliação mais precisa do risco cardiovascular.
De acordo com as diretrizes brasileiras, o diagnóstico é feito com PA sistólica ≥140 mmHg e/ou diastólica ≥90 mmHg em duas ou mais medidas em consultório, ou valores elevados na MRPA/MAPA (geralmente ≥130/80 mmHg na média).
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