USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Paulo é um paciente de 48 anos e está em uso de captopril 25 mg a cada 12h há 6 anos e vem à sua primeira consulta ambulatorial. Refere que recebeu o diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica (HAS) no Pronto-Socorro após uma forte cefaleia e pressão arterial de 180 x 100 mmHg, quando introduziram essa medicação. Desde então sua pressão está controlada ao redor de 130 x 80 mmHg. Realizou exames há 10 meses solicitados por outro profissional, todos normais. Ele tem muito medo de um “derrame”, pois seu pai morreu de um acidente vascular cerebral aos 72 anos e seu avô aos 78 anos. Nega tabagismo, etilismo, outras doenças ou sintomas. Qual deve ser a conduta a ser proposta para Paulo nessa consulta?
HAS diagnosticada em crise isolada, sem outros fatores de risco ou lesão de órgão-alvo, pode ser hipertensão reativa ou do jaleco branco; reavaliar.
O diagnóstico de HAS foi feito em uma situação de crise (cefaleia, PA 180x100 mmHg) há 6 anos, sem exames complementares que confirmassem lesão de órgão-alvo ou hipertensão sustentada. Com PA controlada por anos e exames normais, há forte suspeita de hipertensão reativa ou do jaleco branco, justificando a suspensão da medicação e monitorização.
O diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica (HAS) deve ser feito com cautela e baseado em múltiplas medidas em diferentes ocasiões, ou por monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) ou residencial (MRPA). Um diagnóstico feito em uma única situação de crise ou estresse, como uma cefaleia no pronto-socorro, pode levar a um tratamento desnecessário se a hipertensão não for sustentada. A "hipertensão do jaleco branco" ou uma resposta pressórica exagerada ao estresse agudo são cenários comuns que podem mimetizar HAS. No caso de Paulo, ele foi diagnosticado em uma crise hipertensiva isolada e, desde então, mantém a pressão arterial controlada com uma dose relativamente baixa de captopril, sem outros fatores de risco ou evidências de lesão de órgão-alvo em exames recentes. Isso levanta a forte suspeita de que ele possa não ter HAS crônica. A desprescrição de medicamentos, quando apropriada, pode melhorar a qualidade de vida do paciente, reduzir custos e evitar efeitos adversos. A conduta mais adequada seria suspender o captopril e realizar um controle rigoroso da pressão arterial, preferencialmente com MAPA ou MRPA, para confirmar se a hipertensão é de fato sustentada. Se a pressão arterial permanecer normal sem medicação, o paciente pode ser acompanhado sem tratamento farmacológico, com foco em medidas de estilo de vida.
Deve-se suspeitar quando o diagnóstico foi feito em uma única ocasião de estresse ou crise, sem confirmação por múltiplas medidas ou MAPA/MRPA, e o paciente mantém PA controlada com baixa dose ou sem outros fatores de risco.
A monitorização rigorosa (domiciliar ou ambulatorial) é crucial para garantir que a pressão arterial permaneça dentro dos limites normais e para identificar qualquer retorno da hipertensão, permitindo reintrodução da terapia se necessário.
O diagnóstico de HAS requer múltiplas medidas elevadas em diferentes ocasiões, ou confirmação por MAPA/MRPA, além de exclusão de causas secundárias e avaliação de lesão de órgão-alvo.
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